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Startup encontra oportunidades em tubulação antiga de água

Shiho Takezawa e Hiromi Horie

29/01/2020 12h41

(Bloomberg) -- Cerca de 20% dos moradores de Wakayama, no sudoeste do Japão, ficaram sem água por três dias na semana passada devido ao conserto de uma tubulação de 60 anos, mas depois descobriram que os reparos poderiam ter sido feitos sem o corte do abastecimento.

Cerca de 3 mil queixas foram apresentadas às autoridades da cidade, segundo as quais não tinham como saber da possibilidade até desenterrar os canos.

Cidades em todo o mundo enfrentam desafios semelhantes ao lidar com a deterioração da infraestrutura, devido à falta de precisão de onde e quando consertar a tubulação antiga. A mudança climática, com uma frequência crescente de inundações, secas e temperaturas elevadas, sobrecarrega sistemas de água. Agora, algumas cidades com falta de recursos estão adotando novas tecnologias para tornar os reparos de água mais eficientes, reduzir custos de construção e também as tarifas de serviços públicos.

"Ninguém pode viver sem água da torneira", disse Takashi Kato, presidente da Fracta, uma startup de software com sede em Redwood City, na Califórnia, que usa software para identificar os pontos mais frágeis das redes de água.

Nos Estados Unidos, os gastos do governo com serviços de água totalizaram US$ 113 bilhões em 2017, segundo o Escritório de Orçamento do Congresso. Consertar e expandir as redes de água nos EUA vai custar mais de US$ 1 trilhão nos próximos 25 anos, de acordo com a American Water Works Association. A deterioração dos sistemas de água nas principais áreas metropolitanas superou em muito a substituição das redes, de acordo com Kato, um ex-banqueiro que vendeu uma startup de robótica para o Google em 2013 e depois fundou a Fracta.

A tecnologia da startup permite que cidades, concessionárias serviços públicos e construtoras identifiquem a deterioração dos canos de água antes das escavações, ajudando-os a economizar entre 30% e 40% dos custos de longo prazo, disse Kato.

A Fracta combina inteligência artificial com aprendizado de máquina e mede desde a qualidade do solo até a densidade populacional de uma área, além de informações históricas sobre quando a tubulação foi instalada e sua composição. A startup diz que já fechou contratos em 23 estados, incluindo cidades como São Francisco e Oakland, que enfrentaram falta de água.

"É uma tecnologia cativante", disse Takashi Matsumura, consultor da Ernst & Young. "Não há dúvida de que todo mundo está procurando uma solução para esse problema", disse.

Aumentar a eficiência no uso da água tornou-se um problema global. A ONU estabeleceu metas ambiciosas para o acesso sustentável ao abastecimento de água potável até 2030. Isso criará oportunidades de negócios na Europa, na América do Sul e em outros lugares do mundo, disse Kato. No ano passado, a Fracta iniciou testes no Reino Unido.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Shiho Takezawa Tokyo, stakezawa2@bloomberg.net;Hiromi Horie em Tóquio, hhorie@bloomberg.net