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Coreia do Sul alerta para mudanças em cadeias de suprimentos

Sam Kim

11/05/2020 11h19

(Bloomberg) -- A pandemia de coronavírus deve afetar as exportações da Coreia do Sul mais do que a crise financeira, o que pode levar a uma grande reavaliação das cadeias de suprimentos globais, segundo a principal autoridade de comércio do país.

"Será mais difícil do que em 2008, quando se tratava principalmente de choques financeiros em economias desenvolvidas. Agora, o mundo inteiro também sofre um choque da demanda", disse Sung Yun-mo, ministro de Comércio, Indústria e Energia da Coreia, em entrevista na semana passada.

O setor de exportação deve sofrer impacto mais profundo e duradouro, mas o realinhamento das cadeias de suprimento pode acabar favorecendo a Coreia do Sul, coma a demanda de empresas por fornecimento mais seguro de peças, acrescentou Sung.

As exportações da Coreia são vistas como termômetro do comércio global. Por isso, os comentários de Sung sugerem que economias do mundo todo precisam se preparar para um maior impacto comercial do Covid-19 e para uma onda de realocação de fábricas que trarão tanto riscos quanto oportunidades.

As exportações são a espinha dorsal da economia da Coreia do Sul. Os embarques registraram a maior queda no mês passado desde a crise financeira, o que resultou no primeiro déficit comercial desde 2012. Nos primeiros dez dias de maio, dados de segunda-feira mostraram que as exportações diárias encolheram 30%, em média. Os embarques para EUA e União Europeia caíram mais do que as exportações para a China.

O PIB do país encolheu 1,4% nos três primeiros meses do ano, e a situação deve piorar neste trimestre.

Em resposta, o governo prometeu mais de 240 trilhões de wons (US$ 197 bilhões) em gastos, empréstimos e garantias para sustentar a economia.

"Não é uma decisão fácil, mas se seus setores morrerem, você não terá receita, por isso é uma escolha que o governo deve fazer", disse Sung, reconhecendo que o ritmo do aumento da dívida pode se tornar uma preocupação.

O presidente Moon Jae-in também revelou o que chama de "New Deal" ao estilo coreano, centrado em investimentos em inteligência artificial e redes sem fio de quinta geração para impulsionar o crescimento e o emprego quando a pandemia desacelerar.

Essa visão incluirá semicondutores de sistema, usados principalmente para calcular e processar dados, porque são essenciais para a inteligência artificial, disse Sung. As vendas de semicondutores de sistemas atingiram recorde em março, mesmo com a queda de remessas de chips de memória, de acordo com estatísticas do governo.

©2020 Bloomberg L.P.

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