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Ações da Petrobras prolongam sua queda na bolsa

Alba Santandreu.

São Paulo, 19 jan (EFE).- A queda do preço do petróleo, as más projeções para a economia brasileira e a delicada situação financeira da Petrobras lastraram a cotação das ações da companhia petrolífera, cujo valor se reduziu dez vezes nos últimos oito anos.

Os papéis preferenciais da maior empresa do Brasil se situam abaixo dos R$ 5 pela primeira vez desde 2003, pressionados pela queda do custo do petróleo, que ontem perdeu o nível de US$ 30 nos mercados internacionais.

O preço atual das ações da Petrobras, equivalente ao preço de um suco, contrasta com o valor alcançado em 2008, quando os títulos da companhia petrolífera chegaram a ser vendidos a R$ 50, como lembrou à Agência Efe o analista Rafael Omati, da corretora Guide Investimentos.

Os analistas do mercado financeiro não veem uma "melhora" do comportamento na bolsa da Petrobras em curto prazo e, por isso, apesar do baixo preço das ações, não recomendam a compra dos títulos da companhia por considerá-los um investimento de "muito risco".

De acordo com Omati, a companhia ainda tem "muitos desafios pela frente" e a "tendência é que as ações continuem em baixa".

"Além do preço do petróleo, a empresa enfrenta investigações pelo caso de corrupção e sua dívida, que é grande, está sendo prejudicada pela forte valorização do dólar", ressaltou o analista que lembrou que a companhia lida, além disso, com um forte processo de desinvestimentos até 2019.

A companhia petrolífera anunciou na semana passada uma redução de 24,6% dos investimentos que tinha previstos até 2019 e a consequente diminuição da meta de produção que tinha se imposto para os próximos anos perante a necessidade de adequar-se à queda dos preços do petróleo.

Sobre a venda das ações, no entanto, não há consenso. A orientação de alguns analistas é manter os papéis, enquanto outros já recomendaram desfazer-se deles devido ao fato de que podem cair ainda mais e o horizonte de recuperação está ainda distante.

"Desde depois das eleições (de 2014), quando estavam a R$ 16, nós já recomendamos a venda, pela alta do dólar e pela situação econômica do país daquele momento", comentou o chefe de Estratégia da empresa de consultoria XP, Celson Plácido.

O valor de mercado da empresa, com fortes problemas de caixa, se encolheu 85,5% desde 2008, quando teve seu pico histórico na Bolsa de Valores, segundo um estudo divulgado hoje pela empresa de consultoria Economatica.

A companhia alcançou seu valor máximo em 21 de maior de 2008, quando registrou R$ 510,3 bilhões, frente aos R$ 73,7 bilhões registrados em 18 de janeiro.

De acordo com a Economatica, a Petrobras é a empresa com maior perda de valor de mercado nominal desde o recorde histórico entre as 57 empresas que cotam no índice Ibovespa, indicador de referência da bolsa de São Paulo.

Para o analista da XP, a Petrobras vive atualmente uma "tempestade perfeita" que, segundo sua opinião, deve ser contida através de um aumento de capital e uma redução das despesas.

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