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América Latina deve conter migração do campo para reduzir pobreza, indica FAO

Assunção, 22 jan (EFE).- A América Latina deve apostar em conter a migração do campo para as cidades como forma de diminuir a pobreza em consequência da crise econômica que já atinge a região, disse nesta sexta-feira em entrevista à Agência Efe o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva.

Graziano explicou que a saída da população rural em direção às zonas urbanas na busca por empregos no setor terciário "já não é um sinônimo de saída da pobreza". "Já não há empregos de qualidade nos setores urbanos. Se um jovem sem uma boa formação migra, se transforma em um desempregado potencial", afirmou.

Na avaliação do diretor-geral da FAO, essa falta de empregos contribui para a formação de bolsas de extrema pobreza nas cidades, gerando consequências como o aumento do número de pessoas afetadas pela desnutrição e a fome.

O fenômeno deve se agravar na América Latina devido à crise econômica prevista para a região, afirmou Graziano, em grande parte por causa da queda dos preços de certas commodities produzidos pelos países da região, como a soja, no Brasil, o cobre, no Chile, e o petróleo, na Venezuela.

"Durante os últimos 10 ou 15 anos, graças ao ciclo de valor que tiveram as commodities, conseguimos reduzir e, em alguns casos, eliminar a migração rural para as cidades", disse o diretor da FAO.

No entanto, com a desvalorização dos produtos de exportação, os países latino-americanos terão taxas de crescimento menores - e até retração, como nos casos do Brasil e da Venezuela - e serão incapazes de gerar empregos para absorver a população jovem que tenta ingressar no mercado de trabalho, disse Graziano.

"Isso vai afetar de forma decisiva o combate à fome na América Latina, a região que mais avanços registrou em sua meta de diminuir pela metade a quantidade de pessoas que sofrem com esse problema, de acordo com os objetivos determinados pela ONU até 2015", afirmou.

Grande parte desse sucesso, disse Graziano, ocorreu graças ao crescimento econômico dos países latino-americanos, que nos últimos dez anos se transformaram em países de renda média.

A região tem garantida, inclusive durante a crise, a disponibilidade de alimentos, mas a recessão diminuirá o poder de compra da população e o acesso aos produtos, o que poderia reviver o problema da fome.

Para combater a situação, o diretor-geral da FAO pediu que os governos contenham a migração da população do campo para as cidades, através do fortalecimento da agricultura familiar e a geração de oportunidades de emprego rural.

A agricultura familiar representa 80% da produção agrícola da América Latina e gera 50% dos empregos rurais, segundo a FAO.

Graziano conclui hoje uma visita ao Paraguai, onde avaliou programas de segurança alimentar, agricultura familiar e combate à pobreza desenvolvidos pelo país.

Durante a viagem, ele se reuniu com o presidente do Uruguai, Horacio Cartes, com o ministro das Relações Exteriores, Eladio Loizaga, com parlamentares e representantes da sociedade civil.

A América Latina se prepara para uma nova recessão em 2016, pelo segundo ano consecutivo, afetada pelas fortes crises do Brasil e da Venezuela, conforme projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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