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Companhias diminuem voos e mudam estratégia em meio a crise na Venezuela

Héctor Pereira.

Caracas, 20 out (EFE).- A diminuição de companhias aéreas, de voos e de assentos nos aviões obriga os venezuelanos a enfrentar obstáculos cada vez maiores para conseguir uma passagem internacional, grande parte delas só comprada em moeda estrangeira, em meio a crise econômica e política vivida pelo país.

Sete companhias aéreas estrangeiras paralisaram as operações nos últimos dois anos, enquanto as 19 restantes tentam manter a presença mediante a venda de passagens pela internet, oferecidas exclusivamente em moeda diferente da local. No entanto, ao deixar de comercializar os bilhetes em bolívares, os preços dos voos, especialmente os transoceânicos, se tornaram praticamente impossíveis para um cidadão de classe média.

Um venezuelano que deseje adquirir um voo de ida e volta entre Caracas e Madri deve desembolsar pelo menos US$ 1.200, dependendo da época. O valor representa cerca de 20 vezes o salário mínimo do país, e mais de dez vezes o recebido mensalmente por um professor, um médico da saúde pública ou um deputado.

Por outro lado, várias companhias aéreas venezuelanas abriram no último ano rota em direção a destinos na América Central e no Caribe que podem ser compradas em bolívares.

O diretor da Associação Venezuelana de Atacadistas e Empresas de Representação do Turismo, Julio Arnaldes, explicou à Agência Efe que o problema se deve principalmente à dívida que o governo contraiu com as companhias aéreas internacionais e locais.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) informou em setembro que essa dívida ultrapassou US$ 3,8 bilhões.

Por isso, Arnaldes afirmou que as empresas que continuaram operando optaram por estratégias diferenciadas para não perder espaço em um "mercado extremamente interessante", já que a Venezuela é o país com maiores reservas de petróleo no mundo. Entre as medidas adotadas estão a redução das frequências dos voos e a substituição de aeronaves de grande porte por outras com menos lugares.

Mesmo assim, as companhias registraram uma queda na venda de passagens de 75% desde 2014. Para o terceiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2015, a redução foi de 40%, de acordo com Arnaldes.

Sobre a abertura de rotas com destinos internacionais em companhias venezuelanas, o representante do empresariado classificou a opção como uma oportunidade para que essas companhias sobrevivam e estabeleçam preços que lhes garantam lucro, ao contrário dos voos nacionais, que têm valores controlados pelo governo.

"Na Venezuela, um voo doméstico de 30 ou 40 minutos custa por volta de US$ 16. Em qualquer parte da região, esse valor não é menor que US$ 150. As tarifas são ridículas, as mais baratas da região", criticou o diretor da associação.

Sob essa premissa, empresas venezuelanas como Laser e Aserca abriram voos em direção a ilhas do Caribe como Curação e Aruba, além de outros países como República Dominicana, Panamá e Equador. Os preços são calculados em bolívares.

Essas opções são praticamente a única matéria-prima das agências de viagem e turismo que, por serem empresas nacionais, não podem receber em moeda diferente que a local. Cinco companhias do setor que operam em Caracas consultadas pela Efe concordaram que as vendas caíram devido à crise econômica e política enfrentada pelo país.

Além disso, nenhuma delas dispõe de roteiros com voos internacionais da companhia aérea estatal Conviasa, cujo modelo de negócio é atípico em relação às demais que operam na Venezuela.

Os venezuelanos que desejarem viajar ao exterior com a Conviasa são obrigados a ir pessoalmente a algum escritório da companhia estatal para saber a disponibilidade de voos. Geralmente, isso não pode ser feito através do site da empresa ou por telefone, com linhas quase sempre ocupadas.

As 19 companhias estrangeiras que ainda operam no país, só a americana Dynamic vende passagens em moeda local para Nova York. Partem de Caracas dois voos por semana com 140 lugares.

Já a Air Europa Venezuela também afirma ter registrado uma redução nas vendas de 40% em relação a 2015, indicou o diretor-geral da companhia, José Luis Álvazes. Nos últimos 12 meses, a empresa espanhola vendeu exclusivamente em moeda estrangeira seus três voos semanais, com capacidade para 900 pessoas, com destino a Madri.

Uma das poucas a não reclamar da situação foi a companhia venezuelana Aserca, que disse à Agência Efe não ter registrado retração nas vendas. Ganharam força dentro da empresa destinos como Curaçao, Santo Domingo e, mais recentemente, voos em direção a Cuba, Haiti, San Martín, Antígua e Porto Rico.

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