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Toneladas de arroz são usadas para pagar matrícula universitária na Tailândia

Noel Caballero.

Bangcoc, 21 fev (EFE).- Estudantes de famílias produtoras de arroz podem optar por pagar a matrícula na Universidade de Rangsit, no norte da Tailândia, com seis toneladas do grão.

O centro educacional privado, que trabalha com os agricultores em projetos para melhorar a produção de arroz e a qualidade de vida dos produtores, iniciou no mês passado uma campanha de responsabilidade social em benefício das famílias de alunos afetadas pela queda global do preço do grão.

"Trabalhamos com arrozeiros, por isso conhecemos seus problemas. A crise no preço do arroz afeta diretamente os agricultores e portanto muitos de nossos alunos", afirmou à Agência Efe Worachart Cherdchomchan, reitor da instituição e que liderou a iniciativa pioneira em benefício dos arrozeiros.

Pelo menos 21 alunos de faculdades como Filosofia, Enfermagem e Jornalismo adotaram a alternativa proposta pelo centro para custear total ou parcialmente as taxas universitárias do segundo período do curso, que é realizado entre janeiro e abril.

O valor do quilo de arroz, segundo a variedade do grão, foi fixado pelos próprios agricultores através de um "sistema de preço justo" para pagar as matrículas, cujo custos oscilam entre os 20.000 e 50.000 bats (U$S 570 e US$ 1.400).

Parte do cereal é usada em barracas de comércio ou na cesta básica oferecida aos professores e alunos, e os grãos de melhor qualidade são dados aos diretores da universidade.

O reitor da universidade também ajuda os arrozeiros, a maior parte assentados na região oriental do país, com o transporte da mercadoria através de uma rede de voluntários.

"O objetivo principal é aliviar a carga das famílias de agricultores para que assim os filhos possam cursar o segundo período da universidade. Os bens podem ser trocados entre a comunidade sem o uso de dinheiro", disse Worachart, que contabiliza em 200 os estudantes em sua instituição procedentes de famílias de arrozeiros.

A agricultura representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto da Tailândia e abrange cerca de 40% da população ocupada. O arroz pode ser considerado uma peça-chave na economia da Tailândia, já que o país é o segundo maior exportador mundial do grão.

Tanto governos democráticos como a atual junta militar que governa o país implementaram políticas para estabelecer subsídios ao preço do grão.

Em novembro do ano passado, o primeiro-ministro, Prayut Chan-ocha, anunciou um plano avaliado em 127 bilhões de bats (U$S 3,630 bilhões) para ajudar o setor do arroz perante a queda dos preços.

Segundo as previsões oficiais, a Tailândia vai exportar entre 9,5 milhões e 10 milhões de toneladas de arroz durante 2017 e o valor por tonelada vai se manter próximo aos 8.300 bats (US$ 235), o preço mais baixo em uma década, para a variedade jasmim, a de maior qualidade.

"Os estudantes reconhecem assim a importância do arroz e avaliam o esforço de seus pais. Além de aprender a transcendência de ajudar a outros em momentos difíceis", diz o educador.

A Universidade de Rangsit, que no passado realizou medidas para fazer com que alunos afetados por desastres naturais, como as inundações de 2011, continuassem seus estudos.

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