Repsol acredita que Brasil reformulará regras para exploração de gás natural

São Paulo, 24 abr (EFE).- O presidente da Repsol, Antonio Brufau, expressou nesta segunda-feira sua confiança em que o Brasil reformulará suas regras para permitir uma maior exploração de gás natural por parte de companhias estrangeiras, e exaltou o alto grau de satisfação das empresas espanholas que operam no país.

"O Brasil ainda tem muitos desafios para um crescimento contínuo, e há reformas na legislação que são muito importantes", apontou Brufau durante o I Fórum Espanha-Brasil, realizado em São Paulo com representantes da classe empresarial e dos governos de ambos os países.

Nesse sentido, Brufau apontou que "o desenvolvimento do gás natural no Brasil está em uma fase muito inicial e isso está mudando para que as regras de mercado sirvam para todos explorarem reservas".

"As atuais regras do jogo não permitem investir entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões necessários para aproveitar todo esse potencial", acrescentou o empresário espanhol, para quem essa mudança na legislação do setor fará com que empresas de todo o mundo trabalhem "para o futuro de Brasil".

O evento será encerrado pelo presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, que de manhã foi recebido em Brasília por Michel Temer para uma visita oficial de dois dias.

Brufau e os presidentes das grandes empresas espanholas com negócios no Brasil se encontraram nesta segunda-feira com Rajoy e Temer para "trocar pontos de vista" e, segundo o executivo, "o nível de satisfação é alto".

"Vi e estou convencido de que o nível das empresas espanholas, trabalhando em um habitat como o do Brasil, é altamente satisfatório, porque as regras são as mesmas e existe um diálogo muito franco entre o governo e as empresas, inclusive mais do que no meu próprio país", ressaltou.

No entanto, reiterou Brufau, as reformas são necessárias em "coisas previsíveis para investir com segurança jurídica e econômica". Ele lembrou que a Repsol opera no Brasil "há mais de 20 anos" e foi "a primeira companhia estrangeira que começou a investigar a questão do petróleo brasileiro".

"Sempre tivemos o acompanhamento das autoridades para nos ajudar a interpretar esse cenário dos hidrocarbonetos, e por isso chegamos a uma produção de 90 mil barris diários de produtos de alta qualidade", acrescentou.

Na mesma mesa de debates, o senador Antonio Anastasia, declarou que os "recursos públicos são insuficientes" para desenvolver os programas de infraestrutura que o país precisa.

Diante desse cenário, opinou o senador, "são imprescindíveis capitais privados, nacionais e estrangeiros" e, nesse contexto, "a Espanha tem um papel fundamental".

No entanto, Anastasia defendeu um "melhor marco regulamentar para dar segurança jurídica aos investimentos", porque "as lacunas de infraestrutura que temos são imensas".

Para o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e presidente do grupo empresarial Lide, Luiz Fernando Furlán, "as empresas brasileiras tinham que seguir o exemplo das espanholas, como a própria Telefônica, que vem do setor público".

Sobre essas relações bilaterais sob a ótica empresarial, Armando Martínez, presidente da Elektro Redes e do Núcleo de Redes da Iberdrola, ressaltou que "os trabalhadores e as empresas brasileiras estão enriquecendo todos os que estão no setor elétrico".

De acordo com dados oficiais, a Espanha é o segundo maior investidor no Brasil, com capitais acumulados que chegaram a quase R$ 200 bilhões em 2016. Além disso, o Brasil é o terceiro maior destino dos investimentos diretos espanhóis no mundo. A balança comercial entre os dois países chegou no ano passado a R$ 16,25 bilhões.

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