Presidentes e especialistas defendem dar maior voz a pequenos cafeicultores

Medellín (Colômbia), 11 jul (EFE).- Presidentes e especialistas reunidos no Primeiro Fórum Mundial de Produtores de Café destacaram nesta terça-feira a necessidade de trabalhar com os pequenos agricultores para garantir o desenvolvimento e implementar fórmulas para enfrentar o aquecimento global.

Além de receber os participantes do evento realizado em Medellín, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou que os integrantes da cadeia produtiva do café devem ter em mente que de nada adianta propor medidas que não sejam benéficas a todos os atores, o que inclui, especialmente, os produtores.

"Sem matéria-prima não há cadeia", enfatizou Santos, uma afirmação muito aplaudida pelos presentes.

O presidente colombiano destacou que o mercado mundial do café tem se concentrado em um "número menor de jogadores", tanto na produção como na comercialização.

Santos também disse que o futuro do setor passa pelo desenvolvimento de variedades que se adaptem melhor ao clima, uma resposta aos desafios enfrentados pelo aquecimento global.

Em uma referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que propõe frear a imigração ilegal com uma barreira na fronteira com o México, Santos afirmou que o melhor muro a ser construído na região seria pagar mais aos produtores da região.

"Atualmente, o melhor muro que podemos construir é pagar melhor aos produtores de café da América Central. É nas áreas rurais onde a pobreza se concentra. É onde devemos investir. Não há nenhum ativo que tenha melhor efeito do que esse", afirmou.

O ex-presidente dos EUA Bill Clinton também fez discurso no evento. Clinton ressaltou o valor que o café tem na promoção de desenvolvimento e estabilidade econômica nas regiões rurais do mundo, para blindá-las de fenômenos como a violência.

Para o ex-presidente democrata, uma cafeicultura forte ajudará a reduzir a pressão migratória do campo para cidades. Como exemplo, ele citou o papel destacado do café para que a Indonésia superasse o tsunami que arrasou o país em 2004.

Já o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, destacou a necessidade de os países produtores de café se organizarem para defender interesses comuns contra desafios como o preço do grão e a mudança climática.

Hernández afirmou que os produtores ficam com uma "parte mínima" do preço pago pelos consumidores por cada xícara de café nos países ocidentais e pediu que os intermediários atuem para que o cafeicultor receba o adequado.

Quem também fez discurso foi o presidente da Costa Rica, Luis Guillerme Solís, que propôs que a sustentabilidade seja priorizada para garantir o conforto da cadeia de produção do setor.

"Quando for obrigatório colocar na grande mesa da agenda global o tema da sustentabilidade cafeeira, o setor conseguirá elevar as oportunidades sociais e a competitividade, garantindo a gestão responsável dos recursos naturais", afirmou.

"Essa sustentabilidade é um processo de mudança, cujo objetivo principal deve ser garantir o conforto dos produtores de café, das crianças e dos vulneráveis", completou.

O economista americano Jeffrey Sachs encerrou o dia com uma entrevista coletiva na qual propôs cobrar cinco centavos a mais por cada xícara de café para dobrar os investimentos dos cafeicultores, estabelecendo um mecanismo que consolide no setor um comércio mais justo, balanceado e generoso.

"Cinco centavos a mais por xícara dobraria o investimento dos cafeicultores se fossem direto para eles", afirmou.

O Primeiro Fórum Mundial de Produtores de Café, organizado pela Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia, se encerra amanhã, com uma agenda que inclui discursos de vários ministros.

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