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Setor tijoleiro latino-americano inova para reduzir emissões poluentes

29/10/2017 10h00

Mariana González.

Guadalajara (México), 29 out (EFE).- Os produtores de tijolos da América Latina adotaram tecnologias mais amigáveis com o meio ambiente para modernizar seus processos de fabricação e reduzir a emissão de gases contaminantes.

Brasil e Colômbia "são os países que mais incorporaram tecnologias limpas e melhoradas à normatividade no setor", disse à Agência Efe John Bickel, representante da Swiss Contact, uma fundação que promove o desenvolvimento econômico, social e do meio ambiente no continente.

Bickel, que participou nesta semana de um fórum regional para a criação de estratégias do setor tijoleiro realizado em Guadalajara, destacou a necessidade de diminuir a emissão de gases do efeito estufa neste âmbito produtivo, que queima uma "boa quantidade" de combustíveis fósseis.

Segundo dados da organização, as fábricas de tijolos da região produzem entre 30% e 50% dos tijolos em cada país. Estas microempresas utilizam fornos que funcionam com lenha, serragem, carvão de mineral, guano, resíduos vegetais, pneus, petróleo, gasolina ou gás natural.

A Swiss Contact impulsiona desde 2010 o programa de eficiência energética em fábricas de tijolos da América Latina para mitigar a mudança climática, que inclui nove cidades de oito países da região.

Ventiladores que diminuem as horas de combustão do forno para a queima dos tijolos, máquinas de extrusão para a formação dos diques para fornos melhorados que economizem energia e combustível, são alguns dos recursos implementados.

Estas soluções ajudaram a diminuir pouco mais de um milhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2) nos oito países, durante a primeira fase do programa, especifica Bickel, que acrescenta que com pequenas adaptações foi possível atingir uma maior eficiência energética durante a fabricação.

"O primeiro passo para o produtor artesanal é melhorar a combustão, baixar o consumo de combustível, e para isso introduzimos ventiladores", disse o representante da Swiss Contact, além de destacar que é possível adaptar fornos mais modernos com fibra de cerâmica que "quase não absorve energia".

As melhorias, disse, não têm a ver só com a introdução de novas ferramentas, mas com uma mudança na seleção das matérias-primas que os produtores têm em mãos.

"O produtor tem que repensar como utilizar sua argila e selecioná-la bem, para fazer um produto com mais valor", acrescentou.

O setor também pode recorrer às inovações criadas para aproveitar material reciclado e reduzir os poluentes emitidos para a atmosfera.

Jorge Rodríguez, que dirige uma pequena empresa dedicada a criar polímeros ecológicos, especialmente um tijolo produzido com resina, explica à Efe que esta substância é misturada com as argilas de cada região e pode se secar ao sol sem a necessidade de ir ao forno.

"É um líquido concentrado que se mistura com o solo e não precisa de solventes nem tem de tóxicos. Além disso, pode utilizar qualquer água que esteja de acordo com as normas oficiais, isso facilita e reduz os vestígios de carbono", explica o líder deste projeto gerado no programa de inovação do Instituto Politécnico Nacional do México.

Outra das inovações apresentadas durante o fórum é um protótipo de tijolo criado na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) que mistura argila, resíduos da construção e madeira com um aditivo à base de mucilagem.

A biomassa se seca em menos de um mês com luz solar, o que evita a queima de combustíveis. O resultado é um tijolo ecológico, sustentável e com propriedades de isolante térmico que favorece menos demanda de energia nas casas.

As inovações tecnológicas devem trazer benefícios econômicos e de saúde para os produtores artesanais, pois de outra forma a transformação do setor não será possível, adverte Bickel.

A meta, além de melhorar as emissões, é aumentar os investimentos dos produtores, pois caso contrário "não haverá passos seguintes. Eles precisam de dinheiro para investir", diz.

Ana Lemos, representante do sindicato de tijoleiros da Argentina, disse à Agência Efe que a incorporação de tecnologias e novas formas de produção devem de ser acompanhadas de melhores condições para os trabalhadores, que costumam ter empregos temporários com salários baixos.

"Eu não posso dizer a um companheiro que não queime com lenha porque polui, quando não tem o que comer", contou.