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Mercosul e Canadá lançam negociações de acordo de livre-comércio

09/03/2018 15h46

Assunção, 9 mar (EFE).- Os chanceleres dos países do Mercosul e o ministro de Comércio Internacional do Canadá, François-Philippe Champagne, assinaram nesta sexta-feira (9), em Assunção, uma ata de entendimento para as negociações de um tratado de livre-comércio, que começarão ainda neste mês em Ottawa.

Champagne se reuniu na sede do Ministério das Relações Exteriores do Paraguai com o anfitrião, Eladio  Loizaga, e com os chanceleres do Brasil, Aloysio Nunes, do Uruguai, Rodolfo Nin  Novoa, e da Argentina, Jorge Faurie, para dar início ao diálogo.

"É um dia histórico para o Mercosul, para o Canadá. Acabamos de assinar a ata de entendimento para o início do que será um acordo comercial inclusivo e progressivo", disse Loizaga após o evento.

O chanceler do Paraguai também destacou que a presença no G7, o grupo das sete democracias mais industrializadas do mundo, permitirá uma "importante inserção" do Mercosul no mundo.

Momento de protecionismo

Já o ministro canadense disse que a ata de entendimento manda uma mensagem política muito importante para a comunidade internacional em um momento de avanço do protecionismo.

Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas sobre a importação de aço e alumínio, uma medida criticada por vários países. O Canadá e o México, aliados americanos no Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), foram excluídos das sobretaxas estabelecidas pelo republicano.

"Nesta manhã estamos mandando uma mensagem muito forte para o mundo. Acredito que o mundo está nos olhando", afirmou Champagne.

O Mercosul representa para o Canadá um mercado de 260 milhões de habitantes. Segundo o ministro canadense, o comércio entre o país e o bloco foi de US$ 7 bilhões no último ano.

"Há muitas oportunidades de incrementar esses valores em benefício dos cinco países", destacou Champagne.

Sem prazo

Nenhum dos participantes da negociação quis dar detalhes sobre questões concretas que serão abordadas no acordo, mas todos destacaram que o pacto será "inclusivo". Também não foi informada uma possível data para que o processo seja concluído.

O acordo beneficiará as pessoas e abrirá o mercado, mas não às custas do meio ambiente ou dos direitos dos trabalhadores. Queremos que o acordo chegue às mulheres, aos indígenas, aos jovens e às pequenas e médias empresas
François-Philippe Champagne, ministro canadense


O chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, disse esperar que o acordo seja firmado no fim deste ano, já que, segundo ele, as negociações avançariam mais rápido do que com a União Europeia.

"Sabemos o que vamos discutir, o que vamos trocar. E eu calculo que no fim deste ano, com toda segurança, o acordo pode estar ponto", previu Nin Novoa.

Apesar de os negociadores confiarem que o acordo seja mais simples do que o em discussão com a União Europeia, a imprensa canadense avalia a existência de pontos de tensão por causa das disputas entre Canadá e Brasil em setores como o de carne bovina e na indústria aeroespacial.

Fontes da delegação brasileira consultadas pela Agência Efe garantiram que esses problemas entre os dois países não afetariam as negociações gerais com o Mercosul.

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