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Vice-presidente diz que ver Panamá como paraíso fiscal é "coisa do passado"

15/03/2018 20h11

Alba Santandreu.

São Paulo, 15 mar (EFE).- Considerar o Panamá como um paraíso fiscal é "coisa do passado", disse nesta quinta-feira em entrevista à Agência Efe a vice-presidente e chanceler panamenha, Isabel De Saint Malo, que ressaltou os padrões internacionais do país.

"O Panamá não é um paraíso fiscal, nossos padrões e processos provam isso", disse Malo, que participou do Fórum Econômico Mundial para a América Latina, encerrado hoje em São Paulo.

A chefe da diplomacia panamenha ressaltou que o governo do presidente Juan Carlos Varela realizou um grande esforço para colocar os padrões do país no "mais alto nível internacional". E disse que o escândalo dos Panamá Papers não foi um caso específico, mas sim um reflexo de um sistema que deve ser fortalecido.

Malo evitou comentar o fechamento da Mossack Fonseca, o escritório de advocacia panamenho que chamou a atenção do mundo ao ser o epicentro do escândalo dos Panamá Papers.

No âmbito político, a vice-presidente avaliou que a queda de braço entre o governo e a oposição no parlamento faz "parte da democracia". Além disso, Malo disse confiar que as diferenças podem ser superadas para conseguir avançar na agenda nacional.

"O objetivo é que o país avance", ressaltou.

A chanceler participou de um debate sobre igualdade de gênero no Fórum Econômico Mundial para a América Latina, um evento que durante três dias reuniu 750 líderes de 40 países para pensar uma nova narrativa para a região, que passa por um intenso ciclo eleitoral.

Um dos temas abordados no encontro foi a luta contra a corrupção, uma batalha que, segundo a vice-presidente, deve afetar apenas os responsáveis pelos crimes e não os inocentes.

"É preciso blindar o sistema para não permitir a corrupção. Temos que garantir que haja justiça, com processos penais, multas, mas os projetos devem continuar", ressaltou.

"Os projetos avançando, projetos que beneficiam à população, que geram muitos empregos e que movimentam a economia, continuam. Isso contrasta com o enfoque de outros países", completou.

Sobre o caso específico da construtora Odebrecht, Malo disse que a empresa brasileira não poderá participar de licitações até o fim do processo judicial em andamento no Panamá.

"A Odebrecht está há muitos anos no Panamá. Em governos anteriores, foi registrada a participação (da empresa) em casos de corrupção. Nesse momento, tomamos a decisão que, até o fim do processo judicial, eles não participem de novas licitações", disse.

Sobre a economia da região, a vice-presidente do Panamá disse que seu país tem oportunidades para oferecer, especialmente como um centro logístico. Para ela, a ampliação do Canal do Panamá pode servir para que a América Latina expanda sua atuação em mercados importantes, como o asiático, aumentando o comércio.

"É preciso continuar promovendo o Panamá como o centro logístico que ele é, aéreo, portuário, operacional, e potencializar a relação da América Latina com outras regiões do mundo", explicou.

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