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Harley-Davidson transferirá parte da produção para fora dos EUA por tarifas

25/06/2018 11h23

Washington, 25 jun (EFE).- O fabricante de motocicletas Harley-Davidson planeja transferir parte de sua produção para fora dos Estados Unidos por causa das tarifas impostas recentemente pela União Europeia (UE), uma medida que Bruxelas tomou para resistir aos encargos aplicados por Washington.

A companhia com sede em Milwaukee (Wisconsin, EUA) explicou em uma apresentação com acionistas que fabricará fora dos EUA as motocicletas vendidas na Europa, com o objetivo de evitar as barreiras tarifárias, segundo informaram nesta segunda-feira veículos de imprensa americanos.

"Aumentar a produção internacional para aliviar a carga tarifária da UE não é a preferência da companhia, mas representa a única opção sustentada para fazer com que as suas motocicletas sejam acessíveis para os clientes na UE e para manter um negócio viável na Europa", afirmou a Harley-Davidson em uma declaração preparada para seus acionistas.

A Harley-Davidson anunciou que completará a mudança de parte da sua produção em um prazo de entre nove e 18 meses.

Nessa conferência com acionistas, a direção disse que as motocicletas exportadas à UE desde os EUA teriam, a partir de agora, um custo médio de US$ 2,2 mil a mais, motivo pelo qual decidiu que é mais efetivo fabricá-las fora do país.

"O tremendo aumento de custos, se transferir às concessionárias e aos clientes no varejo, teria um impacto prejudicial imediato e durável para o negócio, reduzindo o acesso aos nossos produtos e afetando negativamente a sustentabilidade das concessionárias", indicou a companhia.

Segundo dados da Harley-Davidson, 40 mil pessoas da UE compraram suas motocicletas em 2017, transformando a Europa em segunda fonte de ingressos da empresa, somente atrás dos EUA.

As tarifas impostas pela UE sobre vários produtos fabricados nos Estados Unidos, como as motocicletas e o uísque, entraram em vigor em 22 de junho e aumentaram o imposto sobre as Harley-Davidson exportadas "desde 6% até 31%", destacou a empresa.

Depois da oficial imposição de tarifas da UE a estes bens, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou nesta sexta-feira impor encargos de 20% "a todos os veículos" importados desde a UE se desde Bruxelas não cancelar a última rodada de tarifas.

A UE fez efetiva essa sanção depois que o Governo de Trump decidiu no começo de junho pôr fim à isenção às tarifas de 25% ao aço e de 10% ao alumínio dada à UE, ao México e ao Canadá, seus maiores parceiros comerciais.

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