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Califórnia lidera luta contra a mudança climática nos EUA de Trump

09/09/2018 14h13

Marc Arcas

São Francisco, 9 set (EFE).- Apesar da luta contra a mudança climática ter deixado de ser prioritária para o Governo dos Estados Unidos desde a chegada de Donald Trump à Presidência, o estado da Califórnia surgiu como uma referência mundial com compromissos tão ambiciosos como usar 100% de energia limpa em sua rede elétrica em 2045.

Este acordo, aprovado recentemente pelas duas câmaras legislativas, está à espera da assinatura do governador, Jerry Brown, que na próxima semana será um dos anfitriões da Cúpula Mundial de Ação Climática, que será realizada em São Francisco, por isso que especula-se que o anúncio sobre o tema nos próximos dias.

"Quando o governador assinar a lei, a Califórnia se transformará na maior economia do mundo com a meta de gerar toda sua eletricidade de forma limpa", explicou à Agência Efe o senador e impulsor da medida Kevin de León. "De fato, acredito que alcançaremos este objetivo inclusive antes, em 2035", acrescentou.

O estado mais populoso dos EUA foi um dos que mais notou durante os últimos anos os efeitos da mudança no clima: a Califórnia sofreu a pior seca em mais de mil anos (2012-2016), seguida por devastadores episódios de fortes chuvas (2017), que multiplicaram os deslizamentos de terras e criaram as condições para os gigantescos incêndios florestais deste ano.

O compromisso adquirido por este estado tem um grande simbolismo dado o contexto em nível nacional, onde a luta contra a mudança climática, da qual o ex-presidente Barack Obama (2009-2017) tinha feito um de seus pilares, foi praticamente abandonada pela atual Administração liderada por Trump.

O episódio mais famoso desta mudança de posicionamento foi a retirada dos EUA do Acordo de Paris, adotado por 195 países em 2015 e em virtude do qual Washington se comprometia a reduzir para 2025 as emissões de gases do efeito estufa entre 26% e 28% com relação aos níveis de 2005.

Além disso, a Casa Branca também anunciou medidas para eliminar o Plano de Energia Limpa contra as emissões, cortar políticas ambientais, expandir as zonas abertas a perfurações petrolíferas, reduzir os parques naturais e relaxar as restrições de emissões aos veículos.

Em meio a tudo isso, a Califórnia já obteve 29% de sua eletricidade no ano passado mediante fontes renováveis, o que significou praticamente triplicar o número de 2007, graças em grande medida à indústria que cada vez mais aposta com mais força pela energia solar, eólica e geotérmica.

"Era necessária uma lei para mostrar compromisso e motivar ainda mais investimentos no setor privado", apontou De León, que explicou que uma vez superada a data limite de 2045, a lei contempla medidas punitivas para aqueles produtores que não tenham passado completamente à energia limpa.

A lei, que recebe o nome de SB 100, prevê avançar passo a passo em relação com a meta final, com um objetivo de 50% de energias limpas para 2016; 60% para 2013; e finalmente 100% para 2045.

Esses 100%, por sua vez, devem incluir pelo menos 60% de energias renováveis - solar, eólica, geotérmica, e geração hidrelétrica de pequena escala -, e 40% restantes, que pode provir de fontes limpas, mas não estritamente renováveis, o que inclui nuclear, grandes hidrelétricas, e plantas de gás natural que capturem e armazenem o dióxido de carbono.

Longe do forte partidarismo com o qual as questões ambientais são frequentemente tratadas em Washington, na Califórnia inclusive o ex-governador republicano e ator de Hollywood Arnold Schwarzenegger apoiou a medida no Twitter. "Somos californianos. Não esperamos. Construímos a economia do futuro aqui", publicou.

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