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Protestos contra alta do combustível deixam mortos e feridos no Zimbábue

15/01/2019 09h32

Harare, 15 jan (EFE).- Várias pessoas morreram e pelo menos 26 ficaram feridas nos protestos durante a greve geral que começou ontem no Zimbábue contra alta do preço dos combustíveis, afirmaram nesta terça-feira organizações civis e o governo.

A greve foi convocada pelo Congresso de Sindicatos do Zimbábue (ZCTU) como resposta à crise econômica no país, agravada nos últimos meses, e pela decisão do presidente zimbabuano, Emmerson Mnangagwa, de dobrar o preço dos combustíveis para acabar com as filas nos postos de gasolina.

Nos piquetes de ontem, os manifestantes montaram barricadas nas ruas das principais cidades, saquearam lojas, lançaram pedras contra viaturas policiais e queimaram uma delegacia, enquanto as forças de segurança reprimiram os protestos com gás lacrimogêneo e munição real.

Em declarações ao jornal estatal "The Herald", o ministro de Segurança do Zimbábue, Owen Ncube, disse hoje que estes protestos provocaram "a perda de vidas e propriedades, inclusive danos à polícia e a membros da sociedade civil".

Enquanto o governo não especificou o número de vítimas, veículos de imprensa falam em pelo menos cinco mortos.

A ONG Fórum de Direitos Humanos do Zimbábue disse que os médicos atenderam 12 das pelo menos 26 pessoas que ficaram feridas por disparos da polícia.

A organização especificou que muitos destes feridos não quiseram receber tratamento por medo de serem presos.

Mais de 200 pessoas foram detidas ontem, segundo Ncube, que tachou os grevistas de "terroristas", em uma greve programada também para hoje e que começou com cortes no uso das redes sociais.

"Isto foi terrorismo e um completo atentado contra o Estado de direito, que não tem nada a ver com o direito dos cidadãos de se manifestarem de forma pacífica", disse o ministro.

Enquanto no Zimbábue vive estas cenas de violência, Emmerson Mnangagwa se encontra em uma viagem internacional que o levou à Rússia, onde se reunirá com o presidente Vladimir Putin, e na qual passará por vários países antes do Fórum Econômico Mundial de Davos.

Esta greve se soma aos protestos das últimas semanas de médicos e professores do setor público para pedir que o governo pague seus salários em dólares - divisa adotada como moeda oficial desde 2009 - e não em letras de câmbio.

O governo insiste em que o país não gera dólares suficientes para pagar todos os funcionários e que as letras de câmbio têm o mesmo valor.

As taxas do mercado negro, no entanto, mostram que as letras de câmbio - que não é uma moeda em si - são trocada a um terço do valor de um dólar, uma desvalorização extraoficial que provocou uma alta de preços nas lojas. EFE