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OCDE reduz perspectivas de crescimento para o Brasil em 2019 e 2020

21/11/2019 09h08

Paris, 21 nov (EFE).- A OCDE revisou as perspectivas de crescimento para o Brasil em 2019 e 2020, onde estimou que a economia brasileira está se recuperando e manteve a confiança de que as reformas estruturais apoiam a confiança dos investidores.

Em seu relatório semestral publicado nesta quinta-feira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) espera que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 seja de 0,8% (seis décimos a menos que em maio) e 1,7% em 2020 (seis décimos a menos) e prevê um aumento de 1,8% em 2021.

A agência assumiu que a agenda de reformas irá avançar e que o crescimento acelerará em 2020 e 2021, mas lembrou que os altos níveis de desemprego caem muito lentamente e que os novos empregos são de baixa qualidade.

A OCDE constatou que, depois de dois trimestres de declínio, o investimento está recuperando força e a confiança econômica está melhorando graças à aprovação das reformas no Congresso. O consumo privado e as vendas também foram reforçados, enquanto a inflação deverá permanecer abaixo da meta em 2020 e 2021.

Segundo os cálculos, o aumento dos preços será de 3,7% este ano, cairá para 3,1% em 2020 e subirá novamente para 3,6% em 2021.

"A dívida pública permanece alta, perto de 80% do PIB, e o déficit de 1,4% do PIB não atinge o superávit estimado de 1,5% necessário para estabilizar a dívida pública", afirmou a OCDE.

O órgão também considerou que a qualidade do gasto público foi reduzida e que, indexada ao salário mínimo, as melhorias na previdência social beneficiaram eminentemente a classe média, deixando poucos recursos para combater a pobreza, que se concentra na infância e juventude.

"Aumentar os limites de renda no Bolsa Família, que custa apenas 0,5% do PIB, aumentaria a elegibilidade e os níveis de lucro. Isso tiraria mais pessoas da pobreza e reduziria a desigualdade salarial", afirmou.

Em suas considerações, apontou que os riscos de crescimento estão principalmente relacionados à implementação de reformas e que a fragmentação do atual cenário político dificulta a construção de consenso político, que é fundamental para as reformas.

Com relação às exportações, a OCDE ressaltou que um agravamento da crise argentina poderia reduzir a exportação de manufaturados, e uma deterioração das relações comerciais globais poderia beneficiar o Brasil no curto prazo, mas com o custo de prejudicar a demanda de importações da China e Estados Unidos, dois de seus principais parceiros. EFE

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