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Argentina suspende voos internos, trens e ônibus de longa distância

17/03/2020 18h01

Buenos Aires, 17 mar (EFE).- O governo argentino anunciou que a partir da meia-noite desta sexta-feira até a quarta da semana que vem trens e ônibus de longa distância e o transporte aéreo doméstico serão suspensos, a fim de controlar a propagação da pandemia do novo coronavírus no país.

"Isto é para desencorajar longas viagens de fim de semana. Entendemos que muitos argentinos ainda não tomaram consciência da situação crítica que estamos vivendo", disse o ministro dos Transportes, Mario Meoni, em uma apresentação em Buenos Aires na qual lembrou que na Argentina é feriado nos dias 23 e 24 de março.

A situação, que se soma ao fechamento das fronteiras, já anunciado no último domingo, não afeta as viagens dentro da região metropolitana, mas a partir desta quinta-feira todos os ônibus e trens da área só poderão transportar passageiros sentados.

DESAQUECER O TURISMO.

Meoni esclareceu que até a meia-noite desta quinta, trens e ônibus de longa distância e aviões circularão normalmente pelo país, mas a partir desse momento a operação será totalmente suspensa até o dia 25, à meia-noite.

"Vamos ser absolutamente rigorosos", disse ele, acrescentando que a Agência Nacional de Segurança Rodoviária vai aumentar o controle nas estradas para desestimular o circuito turístico. "Não estamos em situação de fazer turismo. Precisamos que as pessoas entendam que elas têm que ficar em casa", frisou.

Segundo os últimos dados, confirmados esta manhã pela secretária de Acesso à Saúde, Carla Vizzotti, até agora na Argentina há 65 casos confirmados de infecção pela Covid-19, dois dos quais morreram.

Os casos ocorrem em nove das 23 províncias e na cidade de Buenos Aires, e 56 pessoas têm um histórico de viagens a países em risco, enquanto nove foram infectadas pela transmissão local relacionada com os casos importados. Até o momento, 464 suspeitos foram descartados.

MANTER ISOLAMENTO.

O Governo de Alberto Fernandez enfoca a necessidade de ampliar a distância social, minimizando o atendimento em lugares movimentados, especialmente para grupos de risco: pessoas com mais de 60 anos, pessoas com outras doenças e mulheres grávidas.

"Todos os cidadãos podem gerar ações concretas para minimizar a possibilidade de estar em contato com o vírus ou, se o tivermos e estivermos incubando-o, mesmo sem saber, passá-lo para alguém", acrescentou Vizzotti.

Nesta segunda, o Executivo já tinha autorizado os funcionários do setor público a não irem ao local de trabalho, mas a trabalharem de suas casas, e recomendou que as empresas do setor privado trabalhassem com o mínimo de funcionários e adotassem medidas para trabalhar remotamente.

Mulheres grávidas, pessoas com mais de 60 anos de idade e grupos de risco, além de trabalhadores com crianças em idade escolar, seja do setor público ou do privado, também foram dispensados do local de trabalho. As exceções são aqueles com mais de 60 anos que prestam serviços essenciais.

NÃO SÃO FÉRIAS.

O ministro dos Transportes salientou hoje que a situação é bastante difícil e apelou à cooperação entre o Estado nacional e as províncias, além da ajuda das pessoas, que, lembrou ele, precisam ficar em casa.

"Estamos pedindo ao povo argentino que se responsabilize pelo momento que estamos vivendo, não estamos dando férias ou folgas, mas tentando restringir a circulação, a fim de evitar a propagação do coronavírus por todo o país", destacou Meoni.

Entre as decisões já tomadas está o cancelamento de todo o tipo de eventos desportivos e culturais que reúnem um grande número de pessoas.