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FMI alerta para riscos da "desconexão" entre mercados e economia real

13/10/2020 19h06

Washington, 13 out (EFE).- O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta terça-feira que a rápida resposta dos governos e bancos centrais à pandemia "conteve" os riscos financeiros por agora, mas que ainda persiste a "desconexão" entre os mercados e a economia real, o que representa riscos no médio prazo.

"A desconexão persiste, por exemplo, entre os mercados financeiros - onde as valorizações dos ativos têm aumentado - e a fraca atividade econômica e as perspectivas incertas", disse Tobias Adrian, diretor do Departamento de Assuntos Monetários da entidade, em entrevista coletiva para apresentar o relatório de Estabilidade Financeira Global do FMI.

De acordo com Adrian, "se a recuperação for atrasada, o otimismo do investidor pode se dissipar" e há "um risco de que possa haver um ajuste brusco ou episódios periódicos de volatilidade".

Graças à regulamentação adotada após a crise de 2008, os bancos têm reservas de capital e liquidez, mas o relatório reconhece que os sistemas bancários de alguns países podem enfrentar "escassez significativa de capital" devido a insolvências de famílias e empresas.

O relatório indica que a pandemia pode ser "um enorme teste de estresse para o sistema financeiro global, pois problemas como novos surtos de vírus, erros políticos e outros choques podem interagir com vulnerabilidades anteriores e levar a economia a um cenário mais adverso".

Como exemplo, o estudo cita injeções de liquidez para empresas em dificuldade através do aumento do endividamento.

"Muitas empresas já tinham níveis muito altos de endividamento antes da crise. Agora, o endividamento em alguns setores está alcançando novos patamares. Isto significa que os riscos de solvência podem ter se deslocado para o futuro. As pressões de liquidez podem facilmente se transformar em insolvências, especialmente se a recuperação for atrasada", disse Adrian em entrevista coletiva.

O Fundo Monetário Internacional previu nesta terça-feira uma queda de 4,4% na economia mundial até 2020, oito décimos percentuais melhor do que a estimativa de junho, graças à "forte recuperação" da China, que será a única grande economia a crescer (1,9%), e a estímulos fiscais e monetários.