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Protecionismo é maior fonte de incerteza global, diz Draghi, do BCE

Gabriel Bueno da Costa

São Paulo

13/09/2018 11h00

Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi afirmou que o protecionismo aparece neste momento como a maior fonte de incertezas para o quadro global. Em entrevista coletiva em Frankfurt, Draghi também comentou que as turbulências nos mercados globais aumentaram recentemente.

"É preciso avaliar o risco de uma escalada nas tensões comerciais", comentou Draghi. O dirigente lembrou que a tensão comercial afeta não só a economia diretamente, mas também prejudica a confiança, sobretudo se o cenário evoluir para uma guerra comercial mais ampla. "As incertezas ganharam mais importância, no quadro atual", admitiu.

Ainda assim, Draghi disse que a expansão na demanda global deve continuar, apoiando as exportações da zona do euro.

O dirigente afirmou que são até agora limitados os efeitos de contágio em outras partes dos estresses recentes ocorridos na Turquia e na Argentina. Draghi comentou que a disseminação das tensões nos mercados dos dois países "não é substancial", ao menos por ora. Ele foi questionado sobre a questão e em dois momentos disse que não avalia esse contágio como substancial. Ainda assim, a autoridade ponderou que algumas instituições específicas da zona do euro, como empresas com mais negócios nesses países, poderiam sofrer um impacto maior.

Além disso, o dirigente disse que os preços do petróleo parecem estar um pouco mais fracos, mas que o núcleo da inflação na zona do euro está "significativamente mais forte". Ele afirmou que a inflação continua a convergir para a meta de quase 2% do BCE.

Draghi afirmou também que as autoridades da Itália têm reafirmado seu compromisso em seguir as regras de endividamento do bloco. Agora, é preciso esperar os fatos vindos do país, como o projeto de Orçamento e as discussões dele no Parlamento local, comentou a autoridade. O presidente do BCE foi questionado sobre a alta nos juros dos bônus da Itália. Ele comentou que o quadro na Itália até agora não causou efeitos disseminados em outras nações. Além disso, voltou a defender que os países da zona do euro realizem reformas estruturais, para melhorar o quadro na região. Enfatizou a necessidade de que países da zona do euro reconstruam seus colchões fiscais, especialmente aqueles com endividamento mais alto. O presidente do BCE apontou que o endividamento privado tem diminuído na zona do euro, mas que o endividamento público segue em patamar alto.

Em suas declarações, Draghi traçou um cenário em geral otimista sobre a zona do euro, mas com alguns riscos, como o protecionismo pelo mundo. Diante disso, o presidente do BCE reafirmou que é possível fazer qualquer ajuste necessário na política monetária, se preciso. "A análise monetária confirma a necessidade de um amplo grau de estímulos na zona do euro."

Draghi comentou que o fim das compras de bônus, previsto pelo BCE, não significará que a política monetária deixará de ser acomodatícia, apoiando o crescimento. Ele admitiu que mudanças na política monetária em alguns dos principais mercados, como os EUA, são uma fonte de incerteza, bem como mudanças na economia da China, não detalhadas pelo dirigente.

A autoridade foi ainda questionada sobre a possibilidade de o euro ganhar mais presença nos negócios internacionais, como desejado pela Comissão Europeia. Ele lembrou que isso não está no mandato do BCE, mas que o banco central está pronto a trabalhar para apoiar isso.

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