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Chance de estouro do teto da meta de inflação em 2019 sobe a 19%, diz BC

Fernando Nakagawa e Fabrício de Castro

Brasília

27/09/2018 11h35

Apesar da elevação das previsões para a inflação nos próximos meses, as hipóteses de estouro da meta de inflação calculadas pelo Banco Central oscilaram pouco e não indicam grande chance dessa ocorrência. As estimativas constam do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado na manhã desta quinta-feira, 27.

Para o ano de 2019, a probabilidade de estouro do teto de 5,75% da meta subiu de 12% para 19% no cenário de referência - com juros e câmbio constantes - e aumentou de 7% para 10% no cenário de mercado - com parâmetros previstos pelos economistas ouvidos pelo BC. Já a possibilidade de não cumprimento da inflação abaixo do piso de 2,75% da meta do próximo ano caiu de 17% para 11% no cenário de referência e de 25% para 18% (mercado).

Para 2020, a chance de estouro do teto (de 5,5%) subiu de 16% para 18% (referência), mas caiu ligeiramente de 10% para 9% no cenário de mercado. Já a probabilidade de não cumprimento do piso (de 2,5%) caiu de 13% para 11% (referência) e subiu de 19% para 21% (mercado).

Pela primeira vez, o BC divulgou no documento as estimativas de não cumprimento da meta em 2021. No cenário de referência, a hipótese de estouro do teto é de 23% e de não cumprimento do piso ficou em 8%. Já no cenário de mercado, a chance ficou em 15% para o teto e 13% para o piso.

Para o ano de 2018, a probabilidade de não cumprimento do teto da meta caiu de 2% para zero em ambos cenários. Já a hipótese de não cumprimento do piso caiu de 9% para 1% no cenário de referência e de 8% para 2% levando-se em conta as premissas previstas pelo mercado financeiro.

Projeções de inflação

O RTI mostra que o Banco Central prevê alta de 8,3% para os preços administrados em 2018, considerando o cenário de referência. O porcentual é o mesmo informado na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na terça-feira, 25. No RTI de junho, a projeção era de 7,4%.

Para 2019, a expectativa de alta do conjunto de preços administrados é de 5,7%, também igual ao verificado na ata. Já o RTI de junho o porcentual estimado era de 4,8%.

No caso de 2020, a projeção caiu de 4,8% no RTI de junho para 4,3% no relatório divulgado nesta quinta. O documento trouxe, ainda, a previsão de alta de iguais 4,3% para os itens administrados no ano de 2021.

Cenário de mercado

O RTI, mostra que o Banco Central prevê alta de 7,7% para os preços administrados em 2018, considerando o cenário de mercado. O porcentual é o mesmo informado na ata do último encontro do Copom. No RTI de junho, a projeção era de 7,2%.

Para 2019, a expectativa de alta do conjunto de preços administrados é de 5,4%, também igual ao verificado na ata. Já o RTI de junho o porcentual estimado era de 4,6%.

No caso de 2020, a projeção permaneceu em 3,8%. O documento trouxe, ainda, a primeira estimativa de aumento de 4,2% para os preços administrados em 2021.

O cenário de mercado leva em consideração a taxa de juros e o câmbio projetados no Relatório de Mercado Focus. Na última segunda-feira, o Focus mostrou que os analistas previam alta dos preços administrados de 7,50% em 2018, 4,80% em 2019 e 4,20% em 2020.

Setor externo

O Banco Central aumentou a previsão de déficit externo do Brasil no ano de 2018. O RTI mostra que a expectativa de déficit em transações correntes do País passou de US$ 11,5 bilhões anunciados em junho para US$ 14,3 bilhões.

O saldo negativo das contas externas tende a ser integralmente financiado com a entrada de capital produtivo, já a projeção para o Investimento Direto no País (IDP) em 2018 subiu de US$ 70 bilhões para US$ 72 bilhões.

Entre as componentes do balanço de pagamentos, o BC prevê saldo comercial de US$ 55,3 bilhões neste ano e déficit na conta de serviços de US$ 32,5 bilhões, sendo que a conta de viagens internacionais contribui com US$ 13 bilhões.

Conforme o RTI, a estimativa para o investimento de estrangeiros em ações de empresas brasileiras - incluindo papéis negociados no País e no exterior - seguiu em US$ 3,0 bilhões. No caso dos títulos de renda fixa negociados no País, a projeção permaneceu em saldo zero.

O BC informou ainda que sua estimativa para a taxa de rolagem de compromissos no exterior em 2018 segue em 90% .

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