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Presidente da Petrobras diz que 1º tri não foi brilhante, mas prevê notícias boas

Fernanda Nunes e Cristian Favaro

Rio

08/05/2019 14h31

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou nesta quarta-feira, 8, em teleconferência com analistas que o resultado financeiro da empresa no primeiro trimestre não foi brilhante, mas "as notícias são boas em abril e no futuro". O lucro no período foi de R$ 4 bilhões.

Em sua fala de abertura da apresentação do balanço, o executivo destacou que a empresa reduziu o endividamento. "Estamos alongando dívida e otimizando caixa para melhorar alocação de capital. Desde janeiro, começamos a implantar pilares estratégicos. Primeiros meses do ano foram ricos em desinvestimento", afirmou.

Castello Branco informou ainda que vai tentar melhorar o relacionamento com a comunidade financeira global, com a introdução de informações no balanço. Disse também que "o grosso da redução de custo" virá da transformação digital e de processos. E que a empresa iniciou neste mês a implementação de EVA, que vai mensurar a performance de unidades operacionais e funcionários, para priorizar a meritocracia.

Alavancagem

A diretora Executiva de Finanças e Relacionamento com Investidores da Petrobras, Andrea Almeida, destacou que a meta de alavancagem, de alcançar dívida líquida sobre Ebitda de 1,5 vez, não muda diante das mudanças contábeis do IFRS 16, que entraram em vigor neste ano.

"O ponto mais relevante é que nossa meta de alavancagem não muda. Estamos comprometidos em alcançar o indicador de 1,5x", disse, durante a conferência com analistas para comentar os números do primeiro trimestre de 2019. Essa é a primeira participação da executiva desde que assumiu o posto.

O novo padrão tem efeito positivo sobre o Ebitda da empresa e afeta, basicamente, a forma como a companhia contabiliza arrendamentos, entre outros pontos. A executiva destacou ainda que tal mudança metodológica não vai afetar o fluxo de caixa.

O indicador de endividamento da Petrobras medido pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado atingiu 3,19 vezes em março de 2019, ante 2,34 vezes em dezembro e 3,52 vezes em março de 2018. Os dados consideram o novo padrão contábil IFRS16. Sem contar o novo padrão contábil, o indicador estaria em 2,37 vezes no fim de março.

Extração

A diretora Financeira da Petrobras destacou que o custo de extração de petróleo da empresa deve cair nos próximos meses, com a entrada em operação de novas plataformas. Ela informou que, de janeiro a março, o custo de extração ficou em US$ 10,4 por barril.

No trimestre anterior, o custo foi de US$ 10,2 por barril. Mas, na comparação anual, houve uma melhora. De janeiro a março de 2018, o custo foi de US$ 11,5 por barril.

Meta de produção

Apesar de uma produção da Petrobras considerada ruim até pelos executivos no primeiro trimestre deste ano, o diretor executivo de Exploração e Produção da empresa, Carlos Alberto Pereira de Oliveira, deu sinalizações favoráveis para a produção neste ano. A meta da empresa, segundo ele, é fechar 2019 com produção de 2,8 mi de barril de petróleo equivalente por dia, patamar que no início de maio já foi alcançado.

"Mantemos nossa estimativa de produção de 2,8 milhões de barris de óleo equivalente em 2019. No primeiro trimestre, tivemos algo próximo de 2,5 milhões. Já em abril, vimos o crescimento dessa produção para 2,6 milhões, mesmo patamar do quarto trimestre. Nos últimos 10 dias, ficamos em 2,7 milhões de barris de óleo equivalente. No mês de maio, estamos acima dos 2,8 milhões de barris. Esse é um número importante para nós", afirmou ele, durante conferência com analistas para comentar os números do primeiro trimestre.

Ao comentar os números, o executivo afirmou ainda que há uma importante perspectiva em nova província em Sergipe, "que tem óleo de qualidade".

A Petrobras produziu total de 2,460 milhões de barris por dia de petróleo e LGN no Brasil no primeiro trimestre deste ano, o que representa recuo de cerca de 5% em relação a igual intervalo do ano anterior. Na comparação aos três meses imediatamente anteriores, esse volume teve queda de 4%.

Apesar da diminuição da produção global, o volume extraído exclusivamente no pré-sal subiu 7% na comparação anual, para 1,036 milhão de barris por dia nessa área de produção. O volume mostrou ligeira redução de 1% na comparação com o fim de 2018.

Mercado de diesel

Anelise Lara destacou a perda de participação de mercado da empresa no comércio de diesel, que passou de 85% para 84%, na comparação de 2018 com o primeiro trimestre deste ano. Segundo a diretora, o aumento da concorrência demonstra que a Petrobras está praticando preços de mercado.

Já no segmento de gasolina, o market share caiu de 84% para 81% desde o ano passado. A executiva informou ainda, em teleconferência com analistas de mercado, que o nível de utilização da capacidade das refinarias fechou o primeiro trimestre em 75%, menor do que em 2018 (76%).