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Engie quer fazer empresas do país economizar energia

Mônica Ciarelli e Denise Luna

Rio

24/07/2019 11h17

Eficiência energética deixou de ser um conceito para se tornar negócio. No caso da francesa Engie, que faturou 60,6 bilhões de euros no ano passado, uma frente de trabalho com tendência a se tornar sua maior área no mundo nos próximos anos. "Depois de energia verde e infraestrutura de gás, nosso terceiro negócio já é a eficiência energética", diz Isabelle Kocher, presidente global da companhia, em entrevista exclusiva ao 'Estadão/Broadcast', durante evento para lideranças da empresa no Rio de Janeiro.

Segundo Isabelle, a expectativa é que a área atinja um terço da receita total da Engie no médio prazo, ao lado de segmentos já consagrados como geração de energia renovável e gás.

No Brasil, a área também vem ganhando força. Alvo recente do maior investimento da empresa no mundo nos últimos quatro anos - com a compra da Transportadora Associada de Gás (TAG), da Petrobras, por US$ 8,6 bilhões -, o País está na linha de frente da francesa. Anualmente, a Engie destina de 300 milhões de euros a 400 milhões de euros ao Brasil, fora aquisições.

"Se a economia (brasileira) crescer, para evitar um 'boom' do preço da energia é preciso fazer com que as pessoas consumam menos, e de forma eficiente", afirmou Isabelle, desde 2016 à frente da empresa e responsável pela mudança de rumo para a energia renovável.

Hoje, o carvão representa menos de 5% da geração da Engie, após a venda nos últimos anos de 9 bilhões de euros de ativos dessa matriz energética. No Brasil, as duas últimas térmicas a carvão também serão vendidas.

Aquisições

Para aumentar a área de eficiência energética no País, a Engie comprou no Brasil seis empresas de atividades diferentes, como serviços, consultoria e geração solar distribuída. A ideia é oferecer soluções como monitoramento do consumo de energia elétrica. No banco Santander, por exemplo, a Engie monitora 1,5 mil agências. Identifica em quais momentos o ar condicionado deve ser ligado ou quando as luzem devem ser apagadas.

Já em um prédio da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio, a solução foi dada com a instalação de aparelhos de ar condicionado no telhado do prédio e a venda de energia renovável. Para a GE, foi desenvolvido monitoramento para impedir o consumo de energia além do esperado, proporcionado economia de 20% nos custos.

No Brasil, a Engie tem 2,7 mil funcionários, dos quais 1,7 mil trabalham com eficiência energética. Para o coordenador do grupo de estudos do setor elétrico do Instituto de Economia da UFRJ, Nivalde de Castro, é natural que a Engie invista no segmento de eficiência energética. "Ela vende energia e, por isso, sabe o perfil de consumo dos seus clientes e pode apresentar alternativas à redução de custo", disse. Segundo ele, o foco da empresa deve ser o setor industrial, que não tem tradição de investir nisso no Brasil.

Já para o setor de gás, os planos da Engie são de continuar avaliando as vendas da Petrobrás. Em primeiro lugar, porém, a empresa irá se dedicar à TAG. "O momento agora é de fazer a integração da TAG", disse Maurício Bahr, presidente da Engie Brasil. "Vamos fazer a adaptação da nova cultura da empresa - tem funcionários que são da Petrobrás e é preciso fazer a transição."

Planos

Bahr descartou participar da disputa pelo Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), mas disse que outras oportunidades poderão ser avaliadas. "Na Europa, a gente opera 30 mil quilômetros de gasodutos, então o potencial do Brasil tem para explorar essa imensa quantidade de gás que vem pelo pré-sal é enorme", afirmou.

No médio prazo, a Engie estuda trazer ao Brasil a estocagem de gás, bem como em produção de biogás. "Estudamos um projeto de biogás no Rio Grande do Sul, fizemos uma proposta para a Sulgás e está começando agora", disse Bahr. "São tendências e a gente está olhando mercado com muito carinho."

Para Isabelle, o gás natural vai ter um papel mais importante no Brasil, à medida que aumente a geração intermitente da energia eólica e da solar. "O governo tomou decisões claras em relação ao mercado de gás o que, para o investidor, é um cenário promissor", disse ela.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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