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Ações da Petrobras do BNDES podem girar até R$ 23,5 bi

Célia Froufe, Niviane Magalhães e Fernanda Guimarães

Davos (Suíça) e São Paulo

23/01/2020 07h02

Como parte da estratégia de desinvestimento, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pode movimentar o mercado em até R$ 23,5 bilhões com a venda de ações que possui da Petrobrás. O presidente da instituição, Gustavo Montezano, afirmou, em coletiva em Davos, na Suíça, onde ocorre o Fórum Econômico Mundial, que o valor-base da venda é de R$ 19,6 bilhões. A operação envolverá a alienação de até 9,86% das ações ON (com direito a voto) da estatal. A oferta ocorrerá na Nyse, a Bolsa de Nova York, e na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.

"Esta é a continuação de uma estratégia de desinvestimento de alguns meses", disse ele, citando operações com a Marfrig e a Light e também agora a da Petrobrás, que deve ocorrer em 5 de fevereiro. "Estamos colocando a mercado a posição das ações votantes: R$ 23,5 bilhões é o valor que pode chegar e a oferta-base é de R$ 19,6 bilhões", resumiu Montezano.

A quantidade total das ações inicialmente ofertadas, incluindo sob a forma de ADS, poderá ser acrescida em até 20%, ou seja, até 122.367.116 ações. Pelo fechamento das ações ON desta quarta-feira, 22, (R$ 31,02), o valor pode chegar a R$ 22,7 bilhões.

O preço por ação será fixado após a conclusão do procedimento de coleta de intenções de investimento (Bookbuilding), em 5 de fevereiro. Segundo a petrolífera, o preço será aferido tendo como parâmetro a cotação das ações ordinárias de emissão da companhia na B3; cotação dos ADSs na Nyse e o resultado do Procedimento de Bookbuilding. No âmbito da oferta internacional, o preço por ação sob a forma de ADS será equivalente ao preço por ação convertido para dólares , com base na taxa de câmbio de venda dessa moeda (Ptax).

São coordenadores da operação o Credit Suisse, Bank of America, Bradesco BBI, Banco do Brasil, Citigroup, Goldman Sachs, Morgan Stanley e XP Investimentos, conforme antecipou o jornal O Estado de São Paulo/Broadcast. Com a oferta nas duas bolsas, o BNDES conseguirá colocar a mercado toda sua participação, considerando as ações ordinárias, em uma única operação.

Após a venda, o banco ficará com uma participação de ações ordinárias remanescente de 0,16%, detida pelo seu braço de participações, o BNDESPar, conforme informações no site da B3. O banco de fomento possui, ainda, 19% das ações preferenciais da companhia, mas que serão vendidas em operações em bolsa, ao longo do ano. Essa fatia renderia ao BNDES mais R$ 32 bilhões.

Dividendos.

Montezano preferiu não informar, por enquanto, o volume total do repasse dos recursos ao Tesouro, porque está em Davos. Na última terça-feira, 21, o jornal O Estado de São Paulo/Broadcast estimou que o banco de fomento deve reforçar o caixa da União com até R$ 15 bilhões com receitas de dividendos (pagamento que os acionistas de uma empresa recebem pelo lucro ). Se concretizado, esse valor será recorde. Até novembro de 2019, o banco estatal "engordou" em R$ 9,5 bilhões os cofres da União.

Pelas regras seguidas pelo banco, o BNDES precisa pagar 60% do seu lucro líquido para a União. O lucro obtido pela instituição será acumulado, entrará para o balanço no fechamento do semestre e distribuído para o acionista. Montezano disse que não poderia fazer comparação sobre a oferta com outras operações porque tem restrições para falar. Ele tampouco comentou sobre novas operações possíveis com o mesmo argumento. "Neste momento, só (falo da Petrobrás)."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.