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IBGE: Coleta presencial do IPCA será substituída por coleta online e por telefone

Daniela Amorim

Rio

18/03/2020 20h48

A coleta presencial dos índices de inflação apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) será toda substituída por coleta manual via internet ou coleta por telefone, afirmou Gustavo Vitti, coordenador de Índices e Preços do instituto. Segundo ele, não haverá prejuízo para o cálculo do indicador nem interrupção da série histórica.

A pandemia de coronavírus fez o IBGE suspender nesta quarta-feira, 18, a coleta de preços presencial em estabelecimentos de varejo para o cálculo dos indicadores de inflação do órgão. O cancelamento da coleta presencial se refere ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E), Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e aos índices e preços do Sistema Nacional de Pesquisas de Custos e Índices da Construção Civil (INCC/SINAPI).

O IPCA serve como referência para o sistema de metas de inflação, adotado pelo Banco Central. Parte da coleta do índice de preços já era feita pela internet, mas parte ainda era presencial, com visitas de agentes aos estabelecimentos.

"Tudo o que era coleta predominantemente presencial, vamos pegar online no site da mesma rede, da mesma loja. Dado o momento atípico de recolhimento das pessoas, acreditamos também na tendência de aumento do consumo não presencial. O recolhimento é uma tendência e uma recomendação. Então estamos acompanhando essa hipótese de consumo", disse Vitti.

Os estabelecimentos varejistas que não tiverem vendas online para coleta de preços serão substituídos por sites de empresas do mesmo padrão e mesmo porte. No caso da coleta de preços de serviços, o contato será por telefone.

"Vamos fazer por telefone, porque já tínhamos contato com esses informantes, já vamos pessoalmente, então achamos que eles entenderão e nos fornecerão a mesma informação por telefone", avaliou.

No caso da alimentação fora do domicílio, a coleta de informações de bares e restaurantes também será por telefone, enquanto os estabelecimentos estiverem funcionando. Quando for o caso de deixarem de funcionar, o IBGE deve adotar a recomendação internacional de imputar o preço dos itens pesquisados, que pode ser o mesmo do mês anterior. Quanto aos combustíveis, o IBGE avalia usar a coleta de preços nas bombas da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O IBGE também testa ampliar a coleta digital via robô, mas o método ainda está em testes e deve permanecer limitado, por ora, aos itens passagens aéreas e transporte por aplicativo, que já contam com essa modalidade.

"Nos outros países em que a crise já está mais aguda, eles também estão migrando para a coleta online", afirmou Vitti, lembrando que as regiões que integram o IPCA são urbanas, com mais ocorrência de consumo via internet. "Não teremos índice de aproveitamento aquém da normalidade", garantiu.

Os dados do IPCA-15 de março foram integralmente coletados e estão prontos para serem divulgados. O IPCA de março terá 12 dias de coleta exclusivamente online ou via telefone.

Ontem, o IBGE já tinha anunciado o adiamento da realização do Censo Demográfico de 2020 para o ano 2021. A coleta de dados do levantamento censitário em todos os lares brasileiros, que começaria no dia 1º de agosto deste ano, agora terá início em 1º de agosto de 2021, com duração de três meses. O órgão cancelou o processo seletivo já aberto para a contratação de mais de 200 mil trabalhadores temporários, que teria provas nos próximos dias 17 e 24 de maio para as vagas de recenseadores e supervisores. A previsão do órgão era que atraísse mais de dois milhões de candidatos ao concurso público. Os candidatos que fizeram o pagamento da inscrição no concurso terão que ser reembolsados.

O IBGE também suspendeu a coleta domiciliar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), por conta do "quadro de emergência da saúde pública causado pelo COVID-19 e as orientações do Ministério da Saúde". De acordo com a nota, o instituto ainda buscava alternativas para a realização da pesquisa sem envolver visitas aos domicílios brasileiros. A pesquisa divulga dados sobre o mercado de trabalho e a taxa de desemprego no País.

Os dados da Pnad Contínua até o trimestre encerrado em fevereiro de 2020 já foram coletados e serão divulgados dentro da normalidade. Um eventual prejuízo à coleta de dados sobre o mercado de trabalho poderia prejudicar a série histórica da pesquisa a partir de março.