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AIE prevê que demanda global por petróleo sofrerá queda recorde em 2020

Londres

15/04/2020 06h09

A demanda global por petróleo vai cair em ritmo recorde neste ano, uma vez que medidas de bloqueio impostas por governos do mundo inteiro para conter a disseminação do coronavírus "praticamente paralisaram a mobilidade", segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

Em relatório mensal publicado nesta quarta-feira, a AIE prevê que a demanda mundial pela commodity irá diminuir em média 9,3 milhões de barris por dia (bpd) em 2020 - queda inédita -, enquanto a demanda apenas em abril recuará 29 milhões de bpd, atingindo os menores níveis desde 1995.

"A economia global está sob pressão de formas que não são vistas desde a Grande Depressão...empresas estão falindo e o desemprego está disparando", disse a AIE, acrescentando que medidas de confinamento motivadas pela covid-19 levaram "as atividades do setor de transporte a recuar de forma dramática em quase toda parte".

A AIE prevê que a economia global irá sofrer contração de 4,8% este ano.

O relatório veio dias depois de a Opep+ - formada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados que incluem a Rússia - fechar um acordo histórico para reduzir sua produção, de forma a mitigar os efeitos adversos do coronavírus na demanda global. O acordo prevê um corte de 9,7 milhões de bpd na oferta do grupo nos próximos dois meses.

De qualquer forma, os preços do petróleo vêm caindo desde que o acordo foi anunciado, no fim de semana, uma vez que bilhões de pessoas continuam em isolamento por tempo indeterminado.

"Não há um acordo viável que possa cortar a oferta o suficiente para compensar as perdas de demanda no curto prazo", afirmou a AIE. Mesmo depois de abril, a agência prevê que a demanda cairá 26 milhões de bpd em maio e 15 milhões de bpd em junho, em relação aos mesmos meses do ano passado. Para o segundo trimestre, a previsão da AIE é de redução anual na demanda de 23,1 milhões de bpd.

No documento, a AIE também ponderou que medidas tomadas pela Opep+ e também pelo G20 "não irão reequilibrar os mercados de imediato", mas reduzirão o pico de oferta e "ajudarão um sistema complexo a absorver o pior dessa crise, cujas consequências para o mercado de petróleo permanecem muito incertas no curto prazo".

A produção da Arábia Saudita, líder informal da Opep, somou 10,15 milhões de bpd em março e deve crescer para 12 milhões de bpd em abril, diz a AIE.

A agência também estima que a queda na produção fora da Opep poderá alcançar 2,3 milhões de bpd em 2020 e que os estoques da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) garantem hoje a cobertura da demanda por 79,2 dias. Fonte: Dow Jones Newswires.