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Zema: retomada de atividades leva em consideração geração de renda e aglomeração

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo)  - Alexandre Rezende/Folhapress
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) Imagem: Alexandre Rezende/Folhapress

Luciana Collet

São Paulo

23/04/2020 17h58

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que a retomada das atividades empresariais em território mineiro, que vem sendo planejada por seu governo, levará em consideração questões como a geração de renda e a intensidade de uso de mão de obra ou de circulação de pessoas nas instalações.

Ele evitou dar um prazo para a esperada completa retomada das atividades no estado, mas sinalizou que as atividades que empregam a grande maioria das pessoas e que geram a maior parte da riqueza do Estado devem ser retomadas mais rapidamente.

Zema citou como exemplo uma refinaria, que tem grande parte de sua operação automatizada e, portanto, depende de um pequeno número de funcionários para operar, permitindo um "movimento econômico importante", em oposição a atividades intensivas em mão de obra com menor geração de receitas, ou ainda, atividades que atendem a públicos concentrados.

"Neste caso (da refinaria), há pouco impacto na saúde e grande movimento econômico, é diferente de uma indústria que produz miudezas e onde as pessoas estão aglomeradas, esse é o tipo de raciocínio que foi levado em consideração", comentou, durante live promovida pela Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil).

Neste sentido, o governador mineiro sinalizou que inicialmente permanecerão suspensas as atividades presenciais de ensino, públicas e privado, do ensino fundamental ao superior. "Estudos apontam que por ora essa atividade ficará suspensa", comentou. "São locais, toda a escola, onde há aglomeração de crianças, adolescentes e adultos em número considerado", justificou.

Zema admitiu que tem sido pressionado por instituições de ensino e igrejas a liberar o funcionamento, mas disse que a reabertura dessas atividades seria prematura. "Quem sabe e 30, 60 ou 90 dias poderemos retomar", afirmou.

Da mesma forma que as atividades de ensino, Zema também comentou que casas de espetáculos devem permanecer fechadas por um período indeterminado e sugeriu a possibilidade de que partidas de futebol e "shows de rock" só voltem a ocorrer no Estado em 2021. Ele evitou dar um prazo para a esperada completa retomada das atividades.

"Estou querendo que atividades venham no decorrer do tempo a se normalizar, algumas vão demorar muito, não sei quando vamos voltar a ter jogos de futebol, talvez isso vai ficar para ano que vem", disse.

O governador salientou que os dados de óbitos e novos registros de infecções diários dão conforto para o Estado recomendar a retomada gradativa das atividades. Segundo ele, há cerca de 10 dias Minas Gerais tem mantido a média de 55 novos casos de infectados por dia e 2,6 óbitos por dia.

"Só tem três Estados com números de óbitos e casos por 100 mil habitantes mais baixos Minas Gerais: Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul", afirmou, acrescentando que a taxa de ocupação de leitos de UTI por covid também tem sido monitoradas e estão em cerca de 3%. "Então posso afirmar que temos colchão de segurança que deixa conforto para pensar em reativação gradual, consciente, segura e planejada das atividades econômicas", acrescentou.

Zema lembrou que os municípios mineiros têm autonomia para decidir sobre as atividades em seus territórios e afirmou que mais da metade das cidades do Estado já liberaram parcial ou totalmente as atividades empresariais, mas muitos prefeitos não normalizaram por insegurança de como proceder, ou porque o Ministério Público avaliou que não era adequado.

Por isso, o governo agora prepara um programa para possibilitar a reativação gradual com o estabelecimento de protocolos para cada tipo de atividade empresarial, como distância mínima entre colaboradores e entre quem atende e os clientes, procedimento de higienização de equipamentos de uso comum e de locais comunitários como refeitório e toaletes, entre outros.

"Os protocolos vão dar respaldo a prefeitos, que muitas vezes não sabiam como conduzir o processo ou têm receio de fazer algo que coloque em risco a população", afirmou.