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Há mais inscritos do que o previsto, mas R$ 600 serão pagos, diz secretário

Ricardo Marchesan

Do UOL, em São Paulo

23/04/2020 15h54

O secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, afirmou que o número de pessoas com direito ao auxílio emergencial de R$ 600 foi maior do que o previsto inicialmente pelo governo, fazendo com que seja necessário abrir mais espaço no Orçamento para os pagamentos. Ainda assim, ele garantiu que os valores serão pagos a todos que têm direito.

"O auxílio emergencial vai ser pago, como o presidente tinha se comprometido, os ministros tinham se comprometido", afirmou em entrevista ao UOL nesta quinta-feira (23).

O secretário afirmou que a estimativa de número de beneficiados é difícil de ser feita, por se tratar de trabalhadores informais, que muitas vezes não pagam impostos, não recebem benefícios sociais e, até mesmo, não possuem CPF. A estimativa feita inicialmente pelo Ministério da Cidadania, de 54 milhões de pessoas que poderiam receber, mostrou-se menor do que o número real quando o programa entrou em vigor, segundo Guaranys.

"Nós estamos vendo que tem mais gente para receber. Então, se tem mais gente para receber, eu não posso fazer o programa com o mesmo orçamento que eu tinha antes, eu preciso de um orçamento maior", disse.

Ele afirmou que ainda não foi finalizada uma nova estimativa de quantos deverão receber o auxílio, mas uma medida provisória para créditos extraordinários será editada, possivelmente ainda nesta semana, garantindo o pagamento a todos.

Na noite de quarta-feira (22), anunciou que não iria mais antecipar o pagamento da segunda parcela do auxílio, como havia prometido. O Ministério da Cidadania informou que seria necessário solicitar crédito suplementar para realizar os pagamentos.

País foi "fundo no cheque especial"

Marcelo Guaranys falou que o país foi "fundo no cheque especial" para bancar as medidas emergenciais de combate à pandemia de coronavírus, e agora será necessário um trabalho para dar sustentabilidade ao Estado e manter a credibilidade.

"O pacote de medidas que nós adotamos até agora é de R$ 285 bilhões, já é quase três vezes o orçamento para despesas discricionárias que nós tínhamos este ano. Nós fomos fundo no nosso cheque especial, a gente vai ter que pagar esse cheque", afirmou.

"A gente vai ter que dar a sustentabilidade para o Estado para que a gente não tenha que aumentar imposto, ou não piore a nossa situação e tenha que aumentar juros no futuro, gerando mais inflação. Na economia você tem que fazer um conjunto de equilíbrios para fazer as coisas funcionarem bem."

'Pronto para gastar o que for necessário'

Guaranys disse que o governo está preparado para gastar o que for necessário no combate aos impactos à pandemia, mas que, passada a crise, terá que ser analisado como a conta será paga.

"Estamos preparados para gastar mais e o que for necessário para amparar a população em um momento de emergência", disse. "Essa preocupação que temos com a austeridade foi suspensa. Passada a crise, teremos que ver como pagar a conta."

Medidas contra o coronavírus

Guaranys afirmou que, especialmente diante de uma crise de saúde, "o governo tem que dar o melhor retorno possível para a população" e elogiou a equipe do Ministério da Economia por "preparar em dias medidas que são feitas em meses".

"Não dá para atender o primeiro setor que vem correndo pedir ajuda. Tem que analisar quem vai sofrer mais, o que vai faltar primeiro, mas, das medidas que anunciamos, todas estão em prática", disse.

O secretário do Ministério da Economia, que já foi presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), comparou a crise do coronavírus com os ataques do 11 de setembro, nos Estados Unidos —mas afirmou que a pandemia é a pior crise que teve que gerenciar na carreira.

"No 11 de setembro, ninguém sabia o que estava acontecendo e a primeira medida foi colocar todas as aeronaves no chão, todos os aviões dos Estados Unidos foram obrigados a pousar. No dia foi um susto, depois foi relaxando, e as medidas que faziam sentido foram mantidas. Na pandemia é a mesma coisa, a gente não sabe como lidar e a primeira reação foi fechar tudo", disse.

Guaranys prometeu cautela em todas as decisões do Ministério: "Crise gera ansiedade, mas a nossa preocupação desde o começo é ter muita cautela, não tocar medidas sem analisar a fundo".

Reformas estão suspensas

As reformas, como a tributária, fiscal e administrativa, principais bandeiras do governo de Jair Bolsonaro para a Economia, estão temporariamente suspensas durante a crise do coronavírus, segundo o secretário-executivo do Ministério da Economia.

"Estávamos preparados para finalizar a reforma tributária neste ano, levar a fiscal ao Congresso, estava tudo no nosso cronograma para este semestre. Com a pandemia, suspendemos as reformas, até porque o Congresso está com funcionamento mais restrito", disse Guaranys.

O secretário garantiu a retomada das propostas com o fim da crise: "A prioridade [do Ministério da Economia] agora é tomar medidas para a pandemia, mas as reformas, que são a nossa chave para o país crescer de forma sustentável, voltam com força total logo depois que a pandemia passar".