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Delfim Netto: auxílios foram sucesso e por isso PIB vai cair apenas 4,5%

Delfim Netto durante palestra com jornalistas do grupo Folha, no auditorio do jornal - Marcelo Justo/Folhapress
Delfim Netto durante palestra com jornalistas do grupo Folha, no auditorio do jornal Imagem: Marcelo Justo/Folhapress

Francisco Carlos de Assis

06/10/2020 19h24

O Produto Interno Bruto (PIB), que chegou a receber projeções de queda este ano de até 15% por conta dos impactos que sofreria da pandemia, poderá encerrar o ano em curso com queda de 4,5%, disse hoje o economista e ex-ministro da Fazenda Delfim Netto. Ele participou nesta tarde de uma live organizada pela Nova Futura Investimentos em que foram feitas avaliações sob o tema "A Recuperação do Brasil".

Delfim atribuiu o encolhimento das previsões negativas em relação ao desenvolvimento do PIB este ano ao que ele classifica de sucesso das medias econômicas emergências adotadas pelo governo federal no combate aos impactos da Covid-19. "O ministro Paulo Guedes entendeu muito rápido a situação e sugeriu a criação de um 'orçamento de guerra'", disse o ex-ministro da Fazenda.

De acordo com Delfim, mais que econômico, era uma obrigação moral do Estado agir para diminuir o número de infectados e mortos pela pandemia. "O PIB deve terminar o ano com queda de 4,5% porque o socorro às pessoas e às empresas foi um sucesso", disse o economista.

Para ele, apesar de o País encerrar o ano com uma taxa de desemprego gigantesca, o sistema está funcionando. "Conseguimos sustentar 60 milhões de pessoas no pior momento da pandemia. Disseram que descobriram 38 milhões de invisíveis, mas não é isso. Eram pessoas que estavam sobrevivendo sem a ajuda do Estado e que com o distanciamento social perderam suas rendas", disse.

De acordo com Delfim, o Brasil tem como voltar a crescer porque sua sociedade tem um espírito de crescimento. "Quando as ações são coordenadas, o crescimento acelera", disse o ex-ministro.

O problema, continuou Delfim, é que o Brasil é uma "máquina gastadora dominada por uma casta não eleita, aprovada em concursos públicos". "É uma casta que se apropriou do Brasil e não aceita se aposentar mais tarde", disse.