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Reduzir imposto sobre herança faria SP perder R$ 4 bilhões em arrecadação

"Projeto é uma bomba fiscal. Por isso, recomendo o veto", diz Felipe Salto, secretário de Fazenda do estado - Marcos Oliveira/Agência Senado
"Projeto é uma bomba fiscal. Por isso, recomendo o veto", diz Felipe Salto, secretário de Fazenda do estado Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado

Márcia de Chiara

27/12/2022 07h04Atualizada em 27/12/2022 08h30

A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou na quarta-feira (21) um projeto de lei que reduz o imposto sobre doações e heranças. Se sancionada, a medida deve piorar a arrecadação do estado, já afetada pelo corte no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre combustíveis, energia elétrica e comunicações.

"O projeto é uma bomba fiscal, por isso recomendo o veto", afirmou o secretário da Fazenda do estado de São Paulo, Felipe Salto. Nas suas contas, a redução das alíquotas do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis) e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos deve retirar mais de R$ 4 bilhões da arrecadação.

O projeto prevê a redução da alíquota de 4% para 1% sobre a tributação incidente sobre heranças e de 4% para 0,5%, no caso de doações. Segundo Salto, o caminho recomendável tem sido o oposto: "aumentar o ITCMD".

A partir da aprovação, o governador tem 15 dias úteis para vetar, total ou parcialmente, o projeto. Caso isso não ocorra, ele é tido como sancionado.

O governador Rodrigo Garcia (PSDB) tem até 31 de dezembro para se manifestar. Depois, a decisão será de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Procurado, Rodrigo não quis responder se irá sancionar ou vetar o projeto. A assessoria de Tarcísio respondeu que a Secretaria de Fazenda e Planejamento fará um parecer técnico para que seja analisado pelo governador eleito.

Para o professor de Direito Tributário Gabriel Quintanilha, da FGV Direito Rio, a medida é "desproporcional, desnecessária e extremamente perigosa", porque a Lei Orçamentária do estado foi aprovada sem a previsão de perda. "O governo vai ter de prever outras formas de compensação e pode ter que aumentar outros impostos", diz.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.