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'Não queremos ser vendedor de estatal', diz Lula a TV chinesa

Lula ainda defendeu uma nova forma de governança que permita que Brasil e China tenham mais voz - Ken Ishii/Pool/AFP
Lula ainda defendeu uma nova forma de governança que permita que Brasil e China tenham mais voz Imagem: Ken Ishii/Pool/AFP

Altamiro Silva Junior, enviado especial

Pequim

15/04/2023 10h33Atualizada em 15/04/2023 10h41

O Brasil não quer ser "vendedor" de empresas estatais, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à rede de televisão estatal chinesa CCTV. Na conversa, o petista defendeu ainda transações comerciais entre países sem passar pelo dólar, a criação de uma nova forma de governança mundial — em que países como China, Brasil e México tenham mais voz — e a busca de uma solução para a guerra da Ucrânia e

"Não queremos ser vendedor nem só de commodities ou vendedor de empresa estatal", afirmou Lula, segundo transcrição da conversa liberada pelo governo brasileiro.

O que o Brasil quer propor à China é que nós precisamos construir uma centena de coisas novas. Que passa por rodovia, por ferrovia, por portos, aeroportos, que passa por novas indústrias, que passa por empresas de químicas, que passa por investimentos novos.
Lula, a TV chinesa

Como já havia dito em outras ocasiões, Lula defendeu que é preciso avançar na relação do Brasil com a China, não apenas na questão econômica e na questão comercial, mas em temas como ciência e tecnologia, convênios entre as universidades e na transição energética.

"Nós precisamos estabelecer uma política em que a China se transforme em parceiro de investimentos no Brasil."

Sobre reformas em organismos multilaterais, que Lula já havia defendido na viagem durante discurso na posse de Dilma Rousseff no Novo Banco de Desenvolvimento, o petista afirmou que é preciso dar mais representatividade ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

"Acho que tem que ter países da América do Sul, América Latina, países da África. Não é possível que o continente africano, com 54 países, não possa ter representante. Se você não tiver um Conselho de Segurança da ONU com autoridade de decidir, e os países signatários cumprirem, não vai resolver o problema climático no mundo", afirmou.

A única coisa que eu quero é o seguinte: é preciso criar uma nova forma de governança mundial. A China tem que ser levada em conta. O Brasil tem que ser levado em conta. Um país como a Nigéria, como o Egito, como México, tem que ser levado em conta. A Índia tem que ser levada em conta.
Lula, a TV chinesa

Segundo ele, à medida que esses países vão crescendo e se desenvolvendo, obviamente começam a assustar aqueles que se sentiam o dono do mundo.

Sobre a guerra na Ucrânia, o presidente brasileiro disse estar "obcecado" em conversar com as pessoas pelo mundo para encontrar um jeito de alcançar a paz. Ele defendeu que países parem de fornecer armas para o conflito e que busquem uma solução de paz.