Ibovespa cai 1,41%, aos 128 mil pontos, com inflação americana

Após dois ganhos em sequência, o Ibovespa fez pausa na recuperação do começo da semana e se alinhou à aversão a risco global que se impôs desde a manhã, com a leitura acima do esperado para a inflação ao consumidor nos Estados Unidos em março, que deixou em segundo plano comportamento relativamente benigno do IPCA no mesmo mês, também divulgado nesta quarta-feira.

Assim, com nova ponderação de expectativas sobre quando os juros começarão a ser cortados pelo Federal Reserve, o Ibovespa caiu 1,41%, a 128.053,74 pontos, saindo de abertura aos 129.871,64 pontos, correspondente à máxima do dia - na mínima da sessão, o índice foi a 127.731,77 pontos. O giro desta quarta-feira foi a R$ 23,3 bilhões. Na semana, o Ibovespa ainda sobe 0,99% e, no ano, cede 4,57%. Neste primeiro terço de abril, acumula perda de 0,04% no mês.

Em ata divulgada nesta tarde, referente à mais recente reunião do Fed em meados de março, os integrantes do comitê monetário do BC americano apontaram que os juros provavelmente estão no pico do ciclo de aperto atual. Mas destacaram, também, que o processo de desinflação tem ocorrido de maneira irregular, como já era esperado.

"Os participantes observaram que, ao considerarem quaisquer ajustes à meta alvo da taxa dos Fed Funds em reuniões futuras, avaliariam cuidadosamente os dados recebidos, a evolução das perspectivas e o equilíbrio de riscos", destaca a ata do Fed. A "grande maioria" dos dirigentes da instituição deseja começar a desacelerar o ritmo da redução no balanço "razoavelmente em breve". Em outro ponto do documento, é apontado que a maioria deseja que a redução no ritmo do corte no balanço seja iniciada em meados do ano.

Quase todos os integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto consideram que será apropriado cortar juros em algum momento deste ano, conforme aponta a ata. Contudo, o documento chama atenção para indicadores de atividade ainda "fortes" e dados "decepcionantes" sobre preços. Dessa forma, os integrantes ressaltaram que não esperam ser "apropriado reduzir a meta para a taxa dos Fed Funds" até que se tenha "maior confiança de que a inflação evolui de forma sustentável para 2%", em referência à meta oficial de inflação dos EUA.

Ainda de acordo com a ata, os dirigentes do Fed reiteraram que os próximos passos da política monetária dependerão da evolução do cenário econômico e serão comunicados de maneira clara.

Mais cedo, a luz amarela já havia sido acesa, com o índice de preços ao consumidor (CPI) referente a março, que levou os rendimentos dos Treasuries de 10 anos - referência considerada livre de risco - a 4,50% nesta quarta-feira - mais tarde, com a ata, bateram em 4,55%. "A previsão de cortes de juros nos EUA - que na sexta-feira, de acordo com dados do CME Group, era de 53% para junho - mudou para um possível início a partir de setembro", diz Inácio Alves, analista da Melver.

O dado sobre a inflação americana destoou da leitura sobre o IPCA de março, referência oficial para os preços e a política monetária do BC no Brasil. "O IPCA registrou inflação de 0,16% em março, desacelerando com relação a fevereiro (0,83%) e abaixo do previsto pela mediana das projeções de mercado, assim como da nossa própria projeção (0,23%). Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada voltou a desacelerar, para 3,93%, inferior a 4,00% pela primeira vez desde julho de 2023 e abaixo dos 4,50% observados na leitura anterior", aponta em relatório a Guide Investimentos.

Por outro lado, no IPCA, "um destaque negativo foi a inflação de serviços, que voltou a subir", diz Andre Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital. "Isso pode pressionar a inflação, tecla que tem sido batida pelo próprio BC, e pode impactar o ritmo de cortes da Selic ao longo do ano", acrescenta, referindo-se à possibilidade de alterar as perspectivas do mercado, de um corte menor, no sentido de 0,25 ponto porcentual em junho, e não de 0,50 - para maio, já há consenso de -0,50 ponto, desenhado no próprio comunicado do Copom de março.

Na B3, entre as ações de maior peso, destaque hoje para Petrobras (ON +3,02%, PN +2,22%) que refletiu não apenas a retomada de trajetória de alta para os preços da commodity, mas também a percepção de que o presidente Jean Paul Prates pode permanecer no comando, após o fogo alto de fritura sentido na semana passada. Vale ON, por outro lado, caiu 1,52%, apesar do terceiro dia de recuperação para o minério na China. A sessão foi ruim também para outros nomes do setor metálico, com destaque para CSN (ON -4,97%), assim como para as ações de bancos como Santander (Unit -3,93%), Itaú (PN -2,11%) e Bradesco (ON -2,21%, PN -2,11%).

Na ponta perdedora do Ibovespa nesta quarta-feira, Azul (-6,93%), Petz (-6,19%) e CSN Mineração (-6,08%). No lado oposto, além das duas ações de Petrobras, destaque para PetroReconcavo (+1,70%) e Embraer (+0,89%).