Investidor desde os 10 e aposentado aos 34, homem diz o que é preciso para “comprar a liberdade”

SÃO PAULO – O norte-americano Brandon, conhecido como Mad Fientist, tem 34 anos e se tornou financeiramente independente em agosto deste ano. Como muitos, sempre sonhou em não ter que lidar no dia a dia com colegas de trabalho, chefe, exigências e, principalmente, com a ideia de ter que acordar cedo todas as manhãs. A independência financeira surgiu, portanto, como uma alternativa a tudo isso.

Desenvolvedor de softwares com foco em aplicativos e sistemas web, contou em entrevista ao InfoMoney que a origem do nome "Mad Fientist" deve-se a uma brincadeira em inglês com a classificação de 'cientista louco das finanças', uma vez que realiza diversos "experimentos" com softwares, planilhas e derivados para encontrar as melhores formas de economizar e alcançar a independência financeira. Todas as suas descobertas são registradas em seu blog pessoal, de forma a auxiliar seus leitores a fazerem o mesmo.

A ideia da independência financeira veio em 2010, quando decidiu que todo o dinheiro que há tanto tempo economizava podia ser ainda mais rentável. "Eu não estava economizando para nada em particular, mas sempre quis ter um grande portfólio", diz. "Eu sempre quis ter bastante dinheiro", completa entre risos.

"A independência financeira permite que você compre a sua liberdade", diz. Para isso, porém, ele frisa que é preciso economizar, investir e também, saber lidar com os gastos. "Isso exige trabalho e motivação. Por isso criei um blog, para que eu pudesse pesquisar e escrever as melhores formas de alcançar a meta mais rápido", aponta.

Alcançar seu sonho, porém, não foi fácil. Apesar de sempre ter tido a cultura de economizar, ele conta que quando descobriu a possibilidade de poder parar de trabalhar não quis comprar mais nada e a obsessão por evitar todo e qualquer gasto fez com que ele se afastasse de seus amigos e entrasse em depressão. "Nós (ele e a esposa) estávamos economizando muito e isso acabou afetando a nossa felicidade", lembra.

Ao contrário de uma aposentadoria antecipada, que muitos associam à ideia de não trabalhar, e "jogar golfe o dia todo", Brandon conta que esse nunca foi o seu objetivo: "Eu quero é poder trabalhar com o que gosto e não com o que meu chefe quer".

Apesar de ter tido a oportunidade de deixar seu emprego em 2014, quando conquistou o montante necessário, foi somente em agosto deste ano que Brandon largou o batente. Por três anos ele trabalhou remotamente do Reino Unido, mas justamente por conta das despesas com taxas e burocracia, a empresa optou por dispensá-lo. "Eu nunca teria pedido demissão, porque eu podia fazer tudo o que queria", diz.

Com relação a seus investimentos, Brandon conta que aos 10 anos ganhou cinco ações de presente de aniversário de seu pai, então sempre esteve imerso no mercado financeiro: "Investir sempre teve um grande papel na minha vida". Atualmente, seus investimentos estão divididos na Bolsa e em fundos de índice. Ele afirma que, por ser jovem, está disposto a correr riscos e, por isso, possui seu portfólio totalmente alocado em ações e praticamente nada em títulos. "Se algo der errado, eu posso voltar a trabalhar", diz.

"Investir é fazer com que o seu dinheiro trabalhe por você. Quando você investe, você passa a ter participações em uma companhia com funcionários que estão trabalhando por você. Isso torna o ato de economizar muito mais fácil. É como uma bola de neve", explica.

Hoje, a maior parte de sua renda vem de dividendos das ações e dos fundos que investe. Além disso, diversos aplicativos que desenvolveu no passado também têm construído para o aumento de seu capital. Brandon reforça que apesar de focar no presente, também pensa no futuro, buscando contribuir com o máximo possível para a sua previdência.

Além de evitar desperdícios, Mad Fientist e sua esposa sempre optaram por carros usados, uma casa pequena, pois uma maior não era necessária, assim como, pela ausência de TV a cabo, que gerava gastos excessivos. Quando saíam para jantar, por exemplo, dividiam a bebida, a sobremesa e não exageravam no menu. "Eu sempre economizei. Todos os meus amigos me chamavam de 'mão de vaca', porque eu não queria gastar nada e estava sempre procurando novas formas de diminuir meus gastos", conta.

Aos que querem se espelhar em suas atitudes, Brandon sugere a elaboração de uma planilha com despesas e a organização de um orçamento. "Para que você saiba o tempo necessário para alcançar a independência financeira, olhe para os seus gastos e para o quanto você ganha", aconselha. "Investir cem dólares pode não parecer muito, mas no longo prazo, faz toda a diferença. Além disso, por não ser uma grande quantia, não vai parecer como uma privação e, portanto, será mais fácil".

Brandon indica a automatização das transações para que seja mais simples e frequente as aplicações, e reforça a importância do pensamento a longo prazo: "Evite as notícias o máximo possível e aplique de acordo com suas necessidades. É muito melhor quando não temos que fazer escolhas".

Uma mudança de costumes também é recomendável. "Quando você muda seus hábitos, o que você gosta também vai mudar. Quando você compra algo, é um grande comprometimento, ao contrário do que você simplesmente alugar ou pegar emprestado. Se você não gostar, pode trocar. Comprar algo usado também é uma boa forma de testar antes de se comprometer a uma grande compra", sugere. "As pessoas estão tão acostumadas com o que a sociedade espera delas, quando na verdade deveriam estar pensando em como seria uma vida ideal para elas e o que é necessário para chegar lá".

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