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Lavanderia sustentável lucra cinco vezes mais

Divulgação
Na Lavanderia Prillav, mudança dos processos trouxe impactos positivos tanto para o meio ambiente quanto para a produtividade Imagem: Divulgação

Izabela Ferreira Alves

Do UOL, em São Paulo

19/04/2012 07h00

De Rondonópolis (MT), vem o bom exemplo de como a sustentabilidade pode combinar boas práticas ambientais, sociais e aumento da competitividade da empresa. O faturamento da lavanderia Prillav cresceu cinco vezes após acabar com desperdícios de luz, de insumos e usar tecnologia para aproveitar melhor as condições climáticas locais.

Antes, a conta de luz salgada consumia boa parte da receita e o maquinário antigo desperdiçava também os insumos usados na linha de lavagem. Para resolver o problema, o engenheiro e dono da pequena empresa, Paulo Gomes, elaborou um projeto de troca dos equipamentos, automação dos processos e treinamento dos funcionários.

Ele também substituiu os solventes químicos por biodegradáveis e decidiu aproveitar a luz natural e o clima quente da cidade na secagem das roupas. As secadoras mais potentes, usadas nas entregas de curto prazo, deixaram de ser movidas a energia elétrica. Hoje, a lavanderia replica o modelo em três franquias e contratou 16 colaboradores.

"Trocamos por gás. Graças a todas essas medidas, a conta de luz caiu 20%, reduzimos o consumo de água e de outros produtos", afirma o primeiro franqueado da marca, Gustavo Esteves. "A sustentabilidade ambiental tem de caminhar junto da econômica. Não há como fugir desse desafio", diz. 

Seminário internacional debate o tema

Alinhado à essa necessidade, o Sebrae, serviço de apoio à pequena empresa, promove hoje a segunda rodada de palestras e debates do Seminário Internacional sobre Pequenos Negócios. 

Stuart Hart, ph.D. em planejamento e estratégia pela Universidade de Michigan e mestre em gestão ambiental pela Universidade de Yale fará uma apresentação sobre como organizações desse porte podem se valer da sustentabilidade para se tornarem mais competitivas.

  • Para Barretto, presidente do Sebrae, sustentabilidade é uma questão de cultura

O debate sobre sustentabilidade é estratégico para o Sebrae aperfeiçoar a oferta de serviços que ajudem os empreendedores na superação de novas exigências e regulações impostas ao ambiente de negócios.

Por isso, o serviço de apoio à pequena empresa tornou-se o primeiro patrocinador oficial da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, a ser realizada na capital carioca em junho.

"Se tomadas em conjunto, as mais de 6 milhões de  micro e pequenas empresas brasileiras têm importância significativa na discussão sobre os impactos ambientais", afirma o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.

Para ele, a sustentabilidade ganha importância em um momento especial da economia brasileira, com mais chances para a abertura de negócios se comparado às últimas três décadas. Prova disso é a redução da burocracia e dos impostos com a Lei Geral da Pequena Empresa e a criação do Super Simples.

"É claro que ainda há muito o que avançar, principalmente no que diz respeito à legislação trabalhista e ao crédito para as pequenas empresas, mas isso não deve comprometer a adoção de práticas sustentáveis", diz.

"A sustentabilidade passa por questões cotidianas dos negócios como o aumento da produtividade através de medidas ligadas à eficiência energética, reaproveitamento da água, uso de materiais recicláveis. Não é discurso ideológico, mas estar alinhado ao que o mercado do século 21 exige."

No entanto, Barreto destaca que ainda são necessárias mudanças culturais, não só por parte da iniciativa privada, mas de toda a sociedade, para o pleno atendimento das boas práticas de sustentabilidade nos negócios.

Um exemplo é a questão do descarte e reciclagem do lixo. "A consolidação da Política Nacional de Resíduos Sólidos não depende apenas do empresariado. Há questões que estão fora da nossa governança, mas percebemos um esforço por parte do poder público no enfrentamento desses desafios."

 

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