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Proibir propaganda para crianças seria "burrice", diz Mauricio de Sousa

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Mauricio de Sousa e sua filha, Mônica, em seminário sobre publicidade infantil em SP Imagem: Divulgação

Aiana Freitas

Do UOL, em São Paulo

2014-12-11T19:05:35

11/12/2014 19h05

A proibição da publicidade infantil, prevista em uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Infância e da Adolescência (Conanda) e em projetos de que lei que tramitam no Congresso Nacional, é "burrice", disse o cartunista Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica, em evento contra a medida. Ele encomendou uma pesquisa para mostrar os supostos prejuízos econômicos da proposta.

A resolução 163 do Conanda considera que propagandas que são direcionadas às crianças e usam linguagem, música e personagens do universo infantil são abusivas.

Apesar de a resolução ter sido publicada em abril, ela não tem sido aplicada pelas empresas e agências de publicidade, que defendem que o próprio mercado se regule por meio do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar).

"Seria uma burrice incrível se aceitássemos o que está propondo a resolução. Essa proibição envolve uma variedade imensa de vertentes, que vai da econômica até a artística", diz Mauricio de Sousa.

Restrição geraria perdas de R$ 33 bi para a economia

Um estudo divulgado nesta quinta-feira (11) pela GO Consultoria, feito a pedido da Mauricio de Sousa Produções, estima que a restrição da propaganda para crianças geraria uma perda de pelo menos R$ 33 bilhões por ano para a economia do país.

A GO Consultoria pertence ao economista e ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) Gesner de Oliveira.

Os dados consideram que, com o fim da publicidade infantil, companhias de vários segmentos, como brinquedos, vestuário e alimentos, deixariam de se interessar por licenciamentos de personagens, por exemplo.

Isso faria, ainda segundo o estudo, com que empresas que realizam licenciamentos, como a própria Mauricio de Sousa Produções, perdessem negócios, o que poderia resultar em cortes de salário e de emprego.

"Milhares de pessoas vivem do que fazemos no nosso estúdio, e não existe só ele", diz Mauricio de Sousa.

Entidades defendem comerciais voltados para adultos

A proposta de entidades que defendem a proibição, como o Instituto Alana e o Conselho Federal de Psicologia (CFP), é que as propagandas de produtos infantis passem a ser direcionadas aos pais.

"O que se busca não é o fim do mercado de produtos infantis, mas uma mudança no foco da comunicação", diz Ekaterine Karageorgiadis, advogada do Instituto Alana. "O mercado pode se reinventar."

Mauricio de Sousa acha que seria impossível esconder a publicidade das crianças.

"Não podemos sonhar, hoje em dia, em afastar a criança da comunicação. Isso seria impossível, seria uma mentira. A criança hoje usa tablet, está na internet. O que nós precisamos fazer é ter cuidado e monitorar hábitos e costumes, para que não haja danos."

Sua filha Mônica, que inspirou a personagem mais famosa de suas revistas e é seu braço direito nos negócios, concorda. "Os maiores educadores têm de ser os pais. E nós podemos ajudar, por meio dos nossos personagens", afirma.

Crianças são mais vulneráveis aos apelos

Para Rogério Oliveira, vice-presidente do CFP, eventuais perdas econômicas resultantes da proibição não devem ser a maior preocupação.

"Qual o problema de se perder dinheiro, quando estamos falando de coisas muito mais sérias?", questiona. "Quando usamos o raciocínio de que o que interessa é o mercado, estamos voltando à Idade Média do ponto de vista social e de tratamento do ser humano."

Oliveira diz que, como as crianças estão numa fase de desenvolvimento psíquico, elas são mais vulneráveis aos apelos das propagandas do que os adultos.

"O Estado que quer ter uma política protetiva, focada no desenvolvimento econômico da nossa nação, tem de observar essas questões. Não dá para achar que depende apenas dos pais."

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