Uma em cada três lâmpadas do país depende da Eletrobras; conheça a empresa

Téo Takar

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Pilar Olivares/Reuters

    Fachada da sede da Eletrobras no Rio de Janeiro; empresa foi fundada em 1962

    Fachada da sede da Eletrobras no Rio de Janeiro; empresa foi fundada em 1962

O governo anunciou a intenção de privatizar a Eletrobras. Pelo menos uma em cada três lâmpadas do país depende da estatal, que é um conglomerado gigante de empresas e dona de mais de 200 usinas. Conheça melhor a empresa.

  • Responde por mais da metade da energia elétrica consumida no país;
  • É dona de 233 usinas: são 47 hidrelétricas, 114 térmicas (energia gerada a partir da queima de carvão, gás ou óleo), 69 eólicas (energia a partir dos ventos), duas nucleares e uma solar;
  • Tem capacidade instalada de 46,8 gigawatts (GW), equivalente a 31% da capacidade brasileira de geração de energia; 
  • Tem 63,4 mil quilômetros de linhas de transmissão, quase metade (47%) do total do país;
  • Ao final de 2016, tinha 24,7 mil funcionários.

Geração, transmissão e distribuição de energia

Téo Takar
Linhas de transmissão que levam energia da usina de Furnas aos consumidores

A Eletrobras exerce o papel de uma "holding", ou seja, funciona como uma espécie de guarda-chuva, concentrando sob sua administração o controle de diversas empresas, chamadas de "subsidiárias". Elas atuam nas três áreas principais do setor de energia elétrica:

  • Geração: produz energia a partir de usinas hidrelétricas, eólicas, termelétricas e nucleares;
  • Transmissão: a energia gerada nas usinas chega até os locais de consumo (cidades, grandes indústrias) por meio de redes extensas de fios em alta voltagem, as linhas de transmissão;
  • Distribuição: as distribuidoras são responsáveis por receber a energia das linhas de transmissão, reduzir a voltagem para o padrão usado nas casas (110/220 volts) e distribuí-la pelas ruas da cidade, além de em áreas rurais e industriais.

Dona de Itaipu, Furnas e outras

Fundada em 1962, a Centrais Elétricas Brasileiras (nome original da Eletrobras) tem hoje 13 subsidiárias. As mais importantes são:

Itaipu Binacional: Administra a hidrelétrica de Itaipu, na fronteira com o Paraguai. A Eletrobras é dona de metade da companhia. A outra metade pertence ao governo paraguaio. Uma das líderes mundiais em produção de energia, a usina responde sozinha por 17% da energia consumida no Brasil e 76% do consumo do Paraguai. Itaipu deve ficar de fora da privatização devido a restrições impostas pelo acordo de uso da usina com o Paraguai.

Caio Coronel/Divulgação/Itaipu
Usina de Itaipu: metade é da Eletrobras, metade é do governo paraguaio

Furnas: Presente em 15 Estados e no Distrito Federal, a empresa tem 20 hidrelétricas e mais de 24 mil quilômetros de linhas de transmissão. Sozinha, responde por 10% da energia gerada no Brasil, além da transmissão de 40% da energia consumida no país.

Eletronuclear: Criada para construir e operar usinas nucleares no Brasil, atualmente é responsável pelas usinas de Angra 1 e 2, no litoral do Rio de Janeiro, que respondem por 3% do consumo brasileiro de energia. A construção de Angra 3 está paralisada desde 2015 devido à descoberta de desvios de recursos. Também deve ficar de fora da privatização devido às restrições impostas na Constituição sobre o controle de usinas nucleares.

Divulgação/Andrade Gutierrez
Obras de construção da usina nuclear de Angra 3, alvo de denúncias de desvio

Chesf: A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco tem 12 hidrelétricas na região Nordeste, sendo oito no rio São Francisco, como Xingó, Sobradinho e Paulo Afonso. A empresa também cuida de 20 mil quilômetros de linhas de transmissão, interligando as usinas e centros de consumo do Nordeste às outras regiões do país.

Eletrosul: Apesar de o nome remeter ao Sul do Brasil, a empresa também atua no Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e parte da região Norte. Ela detém participações em oito hidrelétricas espalhadas pelo país, como a usina de Jirau, inaugurada no ano passado em Rondônia.

Eletronorte: Responde pela geração e transmissão de energia em toda a região Norte do país e também no Mato Grosso. Tem participação em usinas, como Belo Monte, inaugurada no ano passado no Pará.

Lalo de Almeida/Folhapress
Usina de Belo Monte, às margens da rodovia Transamazônica, próximo a Altamira (PA)

Distribuidoras estaduais: A Eletrobras controla, ainda, distribuidoras de energia de seis Estados: Acre, Alagoas, Amazonas, Piauí, Rondônia e Roraima. Elas foram transferidas para o governo federal nos últimos anos devido a problemas de gestão. No fim do ano passado, a empresa vendeu sua participação na distribuidora de Goiás, a Celg, para o grupo italiano Enel.

Outras participações: Sob o guarda-chuva da Eletrobras estão também uma empresa de participações em outras companhias (Eletropar), 179 Sociedades de Propósito Específico (SPEs, criadas para gerir um determinado empreendimento, como uma pequena usina), além de participações minoritárias em 26 companhias.

Governo tem o controle; BNDES também é acionista

O governo federal tem o controle da Eletrobras, com 51% das ações ordinárias (com direito a voto), que representam 41% do capital total da empresa. Além disso, o governo tem outras participações indiretas na Eletrobras, por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND).

O BNDESPar, empresa de participações do BNDES, detém 13% das ações ordinárias e 7% das preferenciais (sem direito a voto), respondendo por 11,9% do capital total da Eletrobras.

O banco BNDES possui, ainda, 6,9% das ações ordinárias e 6,9% das ações preferenciais, que representam, juntas, 6,9% do capital.

O Fundo Nacional de Desenvolvimento tem 4,2% das ações ordinárias, equivalentes a 3,4% do capital total.

Segundo cálculo da consultoria Economatica, o valor de mercado da Eletrobras era de R$ 20,1 bilhões até esta segunda-feira (21). Esse valor ainda não considera o salto registrado nesta terça-feira (22) pelas ações da companhia na Bovespa, após a notícia da privatização.

Quatro anos de prejuízo

Nos últimos anos, a Eletrobras registrou prejuízos bilionários. O pior resultado veio em 2015, quando a perda líquida no ano chegou a R$ 14,4 bilhões. Grande parte das perdas foi provocada pelas chamadas distribuidoras federalizadas, que foram transferidas compulsoriamente para a Eletrobras devido a problemas de gestão nos Estados.

Em 2016, a companhia conseguiu reagir e apresentou o primeiro lucro, de R$ 3,4 bilhões, após quatro anos seguidos no vermelho.

Neste ano, a companhia acumula, até o fim do primeiro semestre, um lucro líquido de R$ 1,7 bilhão.

(Com Reuters)

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