Mortadela, pinga, chocolate: país perdeu marcas queridas de comida e bebida

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Ceratti, Ypióca, Diamante Negro. Tradicionais marcas brasileiras, presentes no dia a dia de muitos consumidores, acabaram passando para as mãos de grupos estrangeiros nos últimos anos. O caso mais recente foi da Ceratti, famosa por suas mortadelas e embutidos (linguiças, salsichas e salames). Relembre outros casos emblemáticos.

Ceratti

Reprodução/Facebook

A empresa nasceu como um pequeno açougue, em 1932, em Heliópolis, na zona sul de São Paulo, criada pelo imigrante italiano Giovanni Ceratti. Na semana passada, o frigorífico brasileiro Cidade do Sol, dono da Ceratti, foi vendido para a americana Hormel Foods por US$ 104 milhões (cerca de R$ 328,8 milhões).

Vigor

Reprodução

Também neste mês, o grupo mexicano Lala assinou acordo para compra da brasileira Vigor Alimentos da JBS e da J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, numa operação que avalia a companhia em R$ 5,7 bilhões. O laticínio foi fundado em 1917, como Oliva da Fonseca Indústria e Comércio Ltda.. Inicialmente, tinha uma unidade de embalagem de leite em São Paulo e uma pequena processadora de leite condensado em Itanhandu (MG). Atualmente, é dona de marcas como Vigor, Danubio, Faixa Azul e Leco. 

Lacta (Diamante Negro e Sonho de Valsa)

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Inicialmente, Lacta era o nome usado para vender no Brasil chocolates importados da francesa Poulain. Em 1912, a Lacta ganhou uma fábrica própria em São Paulo, fundada pelo então cônsul suíço Achilles Isella. A empresa criou produtos como Diamante Negro (em homenagem ao jogador de futebol Leônidas da Silva), Sonho de Valsa, Bis, Confeti, Laka e Ouro Branco. Em 1996, foi comprada pela americana Kraft Foods. Em 2012, a Kraft Foods dividiu-se em duas: Mondele'z International, responsável pelas guloseimas, e Kraft, que comanda os produtos processados, como queijos e massas.

Ypióca

Reprodução/Facebook

A cachaça Ypióca começou a ser produzida em 1846 em Maranguape (CE) pelo imigrante português Dario Telles de Menezes, que trouxe para o Brasil um alambique de cerâmica. A empresa foi crescendo e passando de geração para geração. Em 2012, foi vendida para o grupo britânico de bebidas Diageo, dono de marcas como Johnnie Walker e Smirnoff, num negócio de cerca de 300 milhões de libras (R$ 1,23 bilhão, segundo a cotação de 28/8/17).

Mabel (biscoitos Mabel e Mirabel)

A fabricante de biscoitos foi fundada em 1953 por imigrantes italianos. Ganhou sua primeira fábrica em 1962, em Ribeirão Preto (SP), e o primeiro parque industrial em Aparecida de Goiânia (GO), em 1975. Um de seus produtos mais famosos era o lanchinho Mirabel, biscoito tipo wafer recheado. Em 2011, a empresa foi vendida para a americana PepsiCo, dona de marcas como Pepsi-Cola, Elma Chips, Toddy e Quaker.

Garoto (Pastilhas, Baton e Serenata de Amor)

A fabricante de chocolates foi fundada em Vila Velha (ES), em 1929, pelo imigrante alemão Henrique Meyerfreund. Começou fabricando balas, que eram vendidas por meninos nos pontos de bonde da cidade. Os consumidores começaram a procurar pelas balas dos "garotos" e dali surgiu o nome da empresa. Lançou produtos como as pastilhas de hortelã, o Baton (originalmente Leite e Mel, de 1948) e o bombom Serenata de Amor. Em 2002, foi comprada pela multinacional suíça Nestlé, mas a compra até hoje não foi 100% aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Schincariol (Nova Schin, Devassa, Baden Baden e Eisenbahn)

Fundada em 1939 em Itu (SP), no quintal de uma casa, começou fabricando o refrigerante Itubaína. Depois vieram também licor de cacau, groselha, vinho quinado (de baixo teor alcoólico) e anisete (licor sabor anis). A empresa lançou a marca de refrescos Skinka e a cerveja Nova Schin, e comprou as marcas de cerveja Devassa, Baden Baden, Eisenbahn e Cintra. Em 2011, foi vendida para a japonesa Kirin Holdings Company e passou a se chamar Brasil Kirin. Em fevereiro de 2017, foi vendida novamente: para a holandesa Heineken, por US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 3,5 bilhões).

Lucky Salgadinhos (Torcida e Fofura)

Fundada em 1963 por imigrantes japoneses, a empresa começou como uma fábrica de doces, mas ganhou destaque com os salgadinhos das marcas Fofura e Torcida. Foi vendida em 2007 para a americana PepsiCo.

Amacoco (Kero Coco e Trop Coco)

Em 2009, mais uma investida da americana PepsiCo no mercado brasileiro: comprou a Amacoco, fabricante das marcas Kero Coco e Trop Coco, de água de coco em caixinha. . As fábricas da Amacoco estão em Petrolina (PE) e em São Mateus (ES).

Batavo

A marca de produtos derivados do leite foi criada em 1928, na região de Carambeí (PR), por imigrantes holandeses. Começou como Sociedade Cooperativa Hollandeza de Lacticínios, que distribuía leite, queijo e manteiga nas regiões de Curitiba e São Paulo. Em 2000, foi parcialmente vendida à Perdigão Agroindustrial e, em 2006, foi totalmente vendida. Mais tarde, a Perdigão se uniu à Sadia e deu origem à BRF. Em 2014, a francesa Lactalis comprou a Batavo, junto com a divisão láctea da Brasil Foods.

Yoki

A Yoki foi fundada em 1960 pelo imigrante japonês Yoshizo Kitano e fabrica produtos como pipocas, temperos, chás, misturas para bolo, sobremesas, sopas e cereais. Em 2012, foi comprada pela americana General Mills, que também é dona da marca de sorvetes Häagen-Dazs.

Ebba (Maguary e Dafruta)

Em 2015, a fabricante de bebidas britânica Britvic comprou a empresa brasileira Ebba por US$ 189 milhões (cerca de R$ 596,4 milhões). A Ebba produz sucos com as marcas Maguary e Dafruta.

Quero

A Quero Alimentos foi criada em 1985, em Jundiaí (SP), e transferida para Nerópolis (GO), em 1990. Em 2011, foi vendida à americana HJ Heinz. Em 2013, a HJ Heinz foi comprada pela Berkshire Hathaway, conglomerado do bilionário Warren Buffett, e pela 3G Capital, dos brasileiros donos da Ambev. Em 2015, fez uma fusão com a Kraft Foods e tornou-se Kraft Heinz Company.

Carolina

A fabricante brasileira de iogurte Carolina foi fundada por Geraldo Araújo e seu filho Maurício Geraldo Araújo, em 1969, em Ribeirão Claro (PR). É dona das marcas regionais Carolina, VeryGurt e Gluck. Em 2015, foi vendida à americana General Mills.

Correção: A marca Batavo não pertence mais à BRF, como informava a versão original deste texto. Em 2014, a francesa Lactalis comprou a Batavo, junto com a divisão láctea da Brasil Foods. A informação foi corrigida.

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