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A economia vai melhorar em 2018? Veja previsões para emprego, dólar e juros

Getty Images/iStockphoto/Pixfly
Imagem: Getty Images/iStockphoto/Pixfly

Téo Takar

Colaboração para o UOL, em São Paulo

01/01/2018 04h00

O processo de recuperação da economia que começou em 2017 deverá se acelerar em 2018, com maior geração de empregos, juros baixos e inflação sob controle, preveem especialistas consultados pelo UOL.

A sensação para a população em geral será positiva. Tudo conspira para que 2018 seja um ano muito melhor.

Adriana Dupita, economista do banco Santander

No entanto, o fato de ser um ano mais favorável não significa que 2018 será exatamente tranquilo. "A eleição para presidente é a principal incógnita", afirma Alexandre Espírito Santo, economista da Órama Investimentos e professor do Ibmec-RJ.

Dependendo de quem sejam os candidatos e, principalmente, de quais sejam suas propostas, haverá um impacto maior ou menor sobre as variáveis econômicas, especialmente sobre o câmbio [dólar].

Alexandre Espírito Santo, economista da Órama e professor do Ibmec-RJ

Além das eleições, a aprovação da reforma da Previdência e a possível confirmação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda instância da Justiça são outros eventos que merecem ser monitorados, diz Espírito Santo.

Veja abaixo as previsões e opiniões dos especialistas para inflação, emprego, juros, PIB e dólar.

Inflação

Julos/Getty Images
Imagem: Julos/Getty Images

A inflação deve permanecer sob controle e próxima da meta estabelecida pelo Banco Central, de 4,5% ao ano. "O cenário para a inflação não será tão bom como foi em 2017, quando a super safra de alimentos derrubou os preços. Mas, ainda assim, não vejo nada que possa provocar uma disparada em 2018", afirma o economista da Órama.

Adriana Dupita, do Santander, diz que a indústria ainda tem uma capacidade ociosa grande, e que o desemprego ainda está alto. "Essa ociosidade contribui para que a inflação permaneça baixa, mesmo em um cenário de aceleração do crescimento."

Segundo o boletim Focus, levantamento semanal feito pelo BC com economistas de mais de 100 instituições financeiras, a média das projeções para o índice oficial de inflação (IPCA) em 2018 é de 3,96%. Em 2017, a inflação deve ficar abaixo dos 3%.

Emprego

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A população deve perceber a melhora da economia em 2018 principalmente por causa do aumento da oferta de empregos. Depois de a taxa de desemprego ter atingido um pico de 13% em 2017, ela começou a cair no último trimestre do ano e deve seguir em queda ao longo de 2018.

"Acreditamos que a taxa de desemprego vai cair para algo entre 10,5% e 11% no fim de 2018", diz Adriana Dupita, do Santander. "Alguns setores já estão acelerando, enquanto, em outros, a recuperação ainda não começou. O ritmo da atividade hoje está heterogêneo [variado], mas a tendência é que toda as áreas melhorem em 2018."

A avaliação feita pela economista, de que o crescimento ainda não atinge todos os setores, pode ser confirmada nos últimos dados do Ministério do Trabalho. Depois de sete meses seguidos de recuperação, o país fechou 12,3 mil vagas com carteira assinada em novembro. O único setor que gerou grande volume de empregos no mês foi o comércio (68,6 mil). O saldo acumulado no ano até novembro, porém, é positivo, com 299,6 mil empregos criados.

Juros

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Com a inflação controlada, o BC poderá manter a Selic, taxa básica de juros, em um patamar extremamente baixo. Hoje, a Selic está em 7% ao ano, a menor taxa dos últimos 23 anos. Mas os economistas acreditam que ela ainda pode cair mais, até 6,75%, e ficar nesse nível até o fim de 2018.

"Há espaço para o Banco Central realizar um novo corte da Selic, de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa para 6,75%. Esse seria um bom ponto para encerrar o ciclo de afrouxamento monetário [de redução dos juros] iniciado no fim de 2016", afirma Adriana.

Para a população em geral, juro menor significa crédito mais barato. A expectativa dos economistas é que o crescimento da economia, a redução do desemprego e a queda dos juros animem os bancos a aumentar a oferta de financiamentos, estimulando o consumo.

"O juro mais baixo também reduz o custo das empresas com dívidas e estimula o investimento produtivo, gerando mais empregos e ampliando os lucros", diz Raphael Figueredo, sócio-analista da Eleven Financial. "Expectativa de lucro maior vai se traduzir em valorização das ações das empresas listadas na Bolsa."

PIB

Thinkstock
Imagem: Thinkstock

A economia deve engrenar em 2018 e mostrar um crescimento da ordem de 2,7%, segundo a média das projeções dos economistas consultados no boletim Focus, do Banco Central. "Você tem um processo de crescimento cíclico, que é reflexo da recuperação da crise pesada que passamos em 2015 e 2016", afirma Figueredo, da Eleven Financial.

Ele diz que o processo de recuperação começou em 2017 e vai se acelerar em 2018. O crescimento acontecerá independentemente de a reforma da Previdência ser ou não aprovada, ou do candidato que será eleito presidente da República, diz o especialista.

Se esse crescimento vai continuar em 2019, aí é uma outra história. Vai depender de vários fatores. Mas o crescimento de 2018 está garantido. É um movimento cíclico [de recuperação].

Raphael Figueredo, sócio-analista da Eleven Financial

A recuperação ocorre após o Brasil ter encolhido 3,5% em 2015 e também em 2016. "Foi uma recessão duríssima, a pior que tivemos desde a década de 30", afirma Alexandre Espírito Santo, da Órama. Em 2017, a expectativa é que o crescimento do PIB seja da ordem de 1%.

Dólar

Karen Bleier/AFP
Imagem: Karen Bleier/AFP

O comportamento do real em relação ao dólar é, certamente, a variável econômica mais difícil de prever em 2018. As dúvidas sobre a aprovação da reforma da Previdência e sobre quem serão os candidatos que disputarão a corrida presidencial poderão provocar grandes oscilações na cotação da moeda.

Por enquanto, os economistas ouvidos pelo UOL mantêm o otimismo em relação ao câmbio e afirmam que o dólar deverá terminar entre R$ 3,30 e R$ 3,50 até o fim de 2018. A média das previsões do Boletim Focus também aponta para uma taxa em torno de R$ 3,30, ou seja, praticamente estável em relação ao câmbio atual.

Você pode dividir 2018 em três partes. O primeiro trimestre será relativamente calmo, parecido com 2017, com crescimento da economia e expectativa de aprovação da reforma da Previdência. O segundo momento começará entre março e abril, quando a volatilidade [oscilação de preços] deve aumentar conforme forem definidos os candidatos e saírem as primeiras pesquisas de intenção de voto. E o terceiro momento será em outubro, quando for eleito o novo presidente.

Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos

A principal preocupação dos investidores é que o futuro presidente da República mantenha o chamado "tripé macroeconômico", ou seja, o controle da inflação por meio de política de juros, com câmbio flutuante e cumprimento da meta fiscal (diferença entre tudo que o governo gasta e arrecada).

"O mercado não tem paixão por nomes, mas por ideias. Se, eventualmente, for eleito um candidato que tenha intenção de abandonar o tripé macroeconômico, isso pode provocar volatilidade no câmbio, nos juros e na Bolsa", alerta Adriana Dupita.

Alexandre Espírito Santo, da Órama, diz que o mercado financeiro também está muito atento ao julgamento do ex-presidente Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre (RS), marcado para 24 de janeiro.

"Sem dúvida, é um evento que pode estressar o câmbio [provocar alta do dólar]. Há muita incerteza sobre a participação de Lula nas eleições. Na minha avaliação, mesmo que o TRF confirme a condenação de Lula, isso não impede completamente a participação dele nas eleições. É preciso esperar um posicionamento da Justiça Eleitoral (TSE). E ele pode vir a recorrer da decisão [do TSE], colocando todo o processo eleitoral em xeque", diz Espírito Santo.

Raphael Figueredo, da Eleven Financial, afirma que o dólar também estará sujeito a fatores externos, especialmente o comportamento da economia americana. "É preciso ver como o Fed [banco central americano] vai se comportar daqui para frente, após a troca de comando da instituição."

A atual presidente, Janet Yellen, será substituída por Jerome Powell em janeiro. "Tudo indica que ele manterá a mesma linha [de política monetária] de Yellen. Mas será que o estilo de comunicação será o mesmo? Isso pode provocar volatilidade no dólar no mundo todo, não só em relação ao real", avalia Adriana, do Santander.

Por que a inflação no nosso bolso parece maior do que a inflação oficial?

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