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"Estamos no caminho certo", afirma Meirelles após agência rebaixar nota

Do UOL, em São Paulo

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta sexta-feira (12) que o Brasil "está em processo de consolidação de um crescimento forte" e que "a perspectiva de aumento da nota de crédito do país é questão de tempo". As declarações foram feitas em entrevista coletiva convocada após o rebaixamento da nota brasileira pela agência Standard & Poor's na véspera. 

"Estamos no caminho certo. Isso está claro e é importante. Vamos continuar trabalhando e seguindo nessa direção", afirmou. "Tenho certeza que a reforma da Previdência vai ser aprovada."

Na noite passada, a agência de classificação de risco S&P reduziu a nota de crédito (rating) do Brasil e justificou a medida dizendo que ela ocorre em função da demora na aprovação de medidas para reequilibrar as contas públicas, num claro sinal para a reforma da Previdência, e de incertezas devido às eleições deste ano.

Nesta sexta-feira, a diretora para ratings soberanos da S&P, Lisa Schineller, afirmou que será muito difícilreforma da Previdência ser votada neste ano no Brasil, marcado por eleições presidenciais.

O Brasil perdeu o grau de investimento da S&P, uma espécie de "selo de bom pagador", em setembro de 2015. Desde então, a S&P e as outras duas principais agências, a Moody's e a Fitch, fizeram sucessivos cortes na nota do país. 

Com o novo rebaixamento feito pela S&P, o país fica três níveis abaixo do grau de investimento. 

A reforma da aposentadoria é considerada pelo mercado fundamental no equilíbrio das contas públicas, mas enfrenta forte oposição da população e de parlamentares. A avaliação de analistas é que as chances de aprovação de uma reforma impopular em ano eleitoral são menores. 

De acordo com Meirelles, a economia brasileira está num momento positivo, com previsão de crescer até 3% este ano e criar 2 milhões de empregos. Para ele, as previsões da S&P são conservadoras, comportamento que considerou normal nas agências de classificação de risco.

Avaliação indica risco de calote 

Um governo ou empresa consegue dinheiro vendendo títulos no mercado. Os investidores compram papéis com a promessa de receberem o dinheiro de volta no futuro com juros. Quando um governo ou empresa tem avaliação ruim, considera-se que há risco de dar um calote e não pagar esses investidores. 

Se houver desconfiança sobre essa devolução, fica difícil conseguir vender esses títulos, e é preciso pagar mais juros aos investidores para compensar o risco maior. O rating, ou classificação de risco, indica aos investidores se um país, empresa ou negócio é considerado um bom pagador ou não.

O chamado grau de investimento, por exemplo, indica que tem baixo risco de dar calote, e que as aplicações financeiras feitas por investidores estrangeiros nesse país ou empresa terão risco próximo a zero.

 

Agências falharam na crise de 2008/2009

A classificação das agências de risco é um instrumento relevante para o mercado, uma vez que fornece aos potenciais credores uma opinião supostamente independente a respeito do risco de calote de países, empresas e negócios.

Porém, as agências foram muito criticadas por terem falhado na crise global de 2008/2009. Elas deram boas notas para operações de vendas de hipotecas imobiliárias nos EUA que afundaram bancos e investidores e geraram a grande crise financeira.

(Com Reuters e Agência Brasil)

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