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Alta de até 51% nos Correios afeta pequeno lojista e cliente, diz entidade

Do UOL, em São Paulo

01/03/2018 04h00

O aumento nos preços de fretes cobrados pelos Correios vai prejudicar diretamente pequenos negócios e o consumidor final, de acordo com a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico). A alta nos preços para a entrega de compras feitas pela internet pode chegar a 51% em alguns casos, com média de 29%, segundo levantamento com empresas do mercado.

Os Correios não passaram a tabela para o UOL e informam em seu site que o aumento médio é de 8% para objetos postados entre capitais, cidades próximas ou dentro do mesmo Estado. Empresas consultadas pela reportagem dizem que em rotas fora dos grandes centros o aumento passa de 50% mesmo, sendo essas as maiores prejudicadas. 

Os novos preços para os serviços de encomenda começam a valer a partir da próxima terça-feira (6).

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Para o presidente da ABComm, Mauricio Salvador, o reajuste nos preços acima dos índices de inflação é abusivo e deve ser contestado pelas entidades de classe e também pelos próprios consumidores, uma vez que o aumento acaba sendo repassado para o bolso dos consumidores.

"A nova tabela apresentada mostra algumas incompatibilidades com a lógica de reajuste pela inflação e já estamos identificando esses pontos para serem discutidos com os Correios", afirma.

Além do consumidor, que sofrerá com o repasse desse aumento, Salvador afirma que micro e pequenas empresas também serão afetadas.

"Essas empresas têm maior dependência dos Correios, enquanto os grandes players do e-commerce têm tabelas diferenciadas, negociadas de acordo com seu volume de entregas mensais. Mesmo assim, pode ocorrer de alguns deles terem distorções ainda maiores no reajuste", diz.

Aumento é abusivo, avalia empresa

De acordo com a empresa de e-commerce Mercado Livre, que faz campanha pelas redes sociais contra os novos preços, o aumento no frete para compras e vendas realizadas pela internet é "abusivo". Como exemplo, a empresa divulgou uma tabela enviada pelos Correios com alguns dos novos preços a serem praticados nas encomendas tradicionais (PAC):

  • De Joinville (SC) para Fortaleza (CE): sobe de R$ 54,02 para R$ 81,51 (+50,89%)
  • De Londrina (PR) para Rio de Janeiro (RJ): sobe de R$ 16,79 para R$ 25,06 (+49,26%)
  • De São Paulo (SP) para Mossoró (RN): sobe de R$ 34,15 para R$ 50,85 (+48,9%)
  • De Londrina (PR) para Caruaru (PE): passa de R$ 25,63 para R$ 37,04 (+44,52%)
  • De Franca (SP) para Recife (PE): passa de R$ 42,38 para R$ 60,41% (+42,54%)

Os preços das encomendas enviadas pelo serviço expresso Sedex também sofrerão aumento. Segundo o Mercado Livre, um frete de Blumenau (SC) para Manaus (AM) utilizando o Sedex passará de R$ 69,91 para R$ 98,52, uma alta de 40,92%.

Correios dizem que alta é de 8% entre capitais

Em nota publicada em seu site, os Correios afirmam que "o reajuste não será de até 51% no frete dos produtos a todos que compram e vendem pela internet”. Segundo a empresa, a média será de apenas 8% para os objetos postados entre capitais e nos âmbitos local e estadual, que representam a grande maioria das postagens realizadas.

Segundo o Mercado Livre, o aumento para encomendas entre duas capitais será menor. Porém, quando consideradas rotas entre cidades fora dos grandes centros, o aumento pode sim chegar a 51%.

"Logo, o reajuste para encomendas nacionais impactará principalmente os moradores de cidades que vivem mais distantes dos grandes centros, indo contra a democratização do comércio e prejudicando milhões de compradores e vendedores que atuam no setor", diz o Mercado Livre.

A empresa de e-commerce Netshoes, que também aderiu à campanha contra o aumento no frete, afirma que o reajuste atinge tanto o vendedor quanto o comprador. Para a companhia, a medida é "incabível" e "antidemocrática", pois encarece o custo para os clientes que vivem em regiões mais distantes das capitais.

“Além de ser abusivo quando comparado com o índice de inflação, não é justo que milhares de vendedores que dependem do marketplace como sua principal fonte de renda e milhões de consumidores, principalmente os que moram em áreas mais distantes dos grandes centros, paguem pela ineficiência dos Correios”, diz a empresa.

Em resposta enviada ao UOL, os Correios não contestam a alegação de que o aumento pode passar de 50% para fretes fora das capitais. A empresa estatal diz apenas que havia uma defasagem nos preços em alguns trechos.

Como exemplo, os Correios afirmam que uma encomenda de São Paulo (SP) para Jequitinhonha (MG) custava apenas R$ 1 a mais que o mesmo serviço entre São Paulo e Belo Horizonte (MG), apesar de Jequitinhonha estar a cerca de 700 km da capital mineira. A partir do reajuste, a diferença entre esses dois trechos passou a ser de R$ 3, segundo os Correios.

Aumento não leva em conta só inflação, dizem Correios

Sobre a alegação da ABComm de que o aumento é muito superior à inflação (que ficou em 2,95% em 2017), os Correios afirmam outros que o aumento também leva em conta outros custos operacionais, como transporte, salários, aluguéis de imóveis, combustível e contratação de recursos para segurança.

Além disso, a empresa diz ser parceira do e-commerce brasileiro e que considera esse segmento de extrema importância para seus negócios. "Essa parceria, inclusive, viabiliza a atividade de inúmeras micro, pequenas e médias empresas que vendem pela internet devido à oferta de pacotes de benefícios exclusivos, incluindo reduções de preço que chegam a mais de 30% no Sedex e 13% no PAC quando comparado aos preços à vista".

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