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Frango deve ficar mais barato, mas pode haver demissões, dizem produtores

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo

  • iStock/VivaBem

A União Europeia anunciou, nesta quinta-feira (19), que proibiu a importação de carne, especialmente frango, de 20 frigoríficos brasileiros. Isso pode fazer os preços dos produtos caírem aqui no Brasil, mas também pode levar a demissões nos frigoríficos, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), que representa os produtores de aves e suínos.

Sem exportar para a União Europeia, haverá uma oferta maior de frango no mercado brasileiro e, por isso, os preços tendem a cair por aqui, disse o vice-presidente de mercados de aves da associação, Ricardo Santin. Ele não soube precisar de quanto seria a queda, nem a partir de quando.

A União Europeia é um dos cinco maiores mercados para as exportações brasileiras. É um volume grande de frango que saía e agora vai ficar no país. Por enquanto, não sabemos a partir de quando nem em que nível os preços deverão cair.
Ricardo Santin, da Associação Brasileira de Proteína Animal

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Preço pode subir depois, diz associação

A queda nos preços pode parecer boa num primeiro momento, mas seria um falso benefício para o consumidor, afirma Santin. Segundo ele, as empresas afetadas pela decisão da União Europeia terão de reduzir sua produção e, com isso, os preços acabarão retornando ao patamar atual ou podem até aumentar.

"Quando as empresas diminuem a produção, a oferta no mercado é menor, e os preços sobem", diz.

Entre os frigoríficos afetados estão 12 unidades da BRF, dona da Sadia e da Perdigão, e mais 8 unidades de outras empresas, de acordo com a associação. Segundo o Ministério da Agricultura, essas unidades representam entre 30% e 35% das exportações de frango brasileiro para a União Europeia.

Entidade fala em demissões em frigoríficos

Outro efeito negativo para a economia brasileira é o fechamento de vagas em frigoríficos. A ABPA estima que podem ser fechados de 10 mil a 15 mil postos de trabalhos no setor por causa dessa decisão. "Com a produção menor, as empresas terão de mandar gente embora", afirma Santin.

Hoje, que nós temos conhecimento, já tem mais de 3.500 pessoas de férias coletivas nos frigoríficos no país.
Ricardo Santin, da Associação Brasileira de Proteína Animal

As empresas anunciaram férias coletivas após o governo brasileiro ter suspendido temporariamente no mês passado as exportações de frango da BRF para União Europeia. A medida foi derrubada pelo governo brasileiro ontem, mas a nova decisão, desta vez vindo dos compradores, deve prolongar a crise no setor, de acordo com a associação.

"Estamos trabalhando para reverter essa decisão, que é temporária, por meio de um acordo com a União Europeia. Se não for possível, não descartamos levar a questão à OMC (Organização Mundial do Comércio)", diz Santin.

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