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Com desemprego, antiga marca Tupperware atrai millennial para venda em casa

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Nayara Sousa é vendedora da Tupperware Imagem: Divulgação

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/09/2018 04h00

O desemprego atinge 12,9 milhões de brasileiros, segundo dados divulgados em agosto pelo IBGE. Isso tem sido uma oportunidade para a Tupperware, antiga marca de potes de comida, atrair millennials como vendedores. Pode surpreender a presença de jovens nesse mercado, pois as reuniões de vendas normalmente são associadas a coisa de tia mais velha. Mas isso está mudando.

Recém-chegada a São Paulo, Nayara Sousa, então com 20 anos, casada e com filhos, procurava formas alternativas de conseguir algum dinheiro extra. “Como casei muito cedo e tive filhos muito nova, fiquei um pouco fora do mercado de trabalho”, disse.

Em 2013, uma conhecida a chamou para uma reunião da Tupperware. Nayara se interessou e começou a conseguir seus clientes aos poucos. “Eu não conhecia muita gente aqui, então vi que muitas pessoas nos procuram pela internet. Virou uma ferramenta fundamental, mas você tem de saber como interagir”, afirmou. Hoje aos 25, tem cerca de 30 clientes fixos por mês.

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Jovens viraram perfil dominante de vendedores

Quem acha que Nayara é uma exceção entre os consultores por causa da sua idade está enganado. Ela é o atual perfil dominante de vendedores (ou consultores) da Tupperware no Brasil. Hoje, a empresa conta com 60% da sua força de vendas composta por millennials, dos quais a maioria é de mulheres (96%).

“Temos feito um trabalho forte de inovação e modernização”, afirmou Angélica Kanashiro, vice-presidente de Relacionamento da Tupperware Brasil. “Não é mais aquela coisa só da mãe.”

De acordo com a executiva, a empresa tem focado em transformar as formas como opera e se comunica em vista do público recém-chegado ao mercado de trabalho. Entre as iniciativas, estão o uso constante do ambiente digital com as redes sociais, nas quais promove de grupos fechados para vendedores a consultorias de venda online e incentivos para jovens iniciantes.

Desemprego atrai jovens para a atividade

A marca reconhece que o índice de desemprego no Brasil, estimado em 12,3%, torna opções diferentes de renda um chamariz. É como oportunidade que a Tupperware quer ser vista.

“Recentemente, o trabalho informal superou o de carteira assinada no Brasil. Isso foi um sinal para nós”, afirmou Angélica. “Entendemos que oferecemos uma oportunidade real de negócio.”

Jaine de Araujo, 19, encarou desta maneira. Recentemente formada no ensino médio, a jovem de São Bernardo do Campo (SP) se tornou vendedora da marca no ano passado, ao completar 18 anos, por considerar a atual dificuldade do mercado de trabalho.

“Uma vez eu passei por uma entrevista e foi muito puxado: por causa do desemprego alto, estão colocando muitas funções para muita pouca gente”, afirmou Jaine. “Decidi optar por qualidade de vida e flexibilidade de horários.”

“Estamos conseguindo levar a mensagem para o público certo: jovens que buscam por oportunidades de ter seu próprio negócio. Ele quer trabalhar do jeito que ele quiser”, afirmou Angélica. “O millennial quer proximidade, mas também liberdade.”

Vendedor número 1 usa YouTube para atrair clientes

Atual vendedor número 1 da marca no Brasil, Gabriel Alencar, 28, também começou na companhia com menos de 25 anos. Ele conheceu a Tupperware por meio da sogra, consultora, que o chamou para uma reunião. Hoje, com a esposa também parte da equipe, a marca é responsável por 100% da renda da sua casa.

Quando começou a vender, em 2014, Alencar trabalhava como gerente de uma loja de calçados femininos e via na marca apenas uma possibilidade de renda extra. “Eu dedicava parte do meu dia a isso, até que comecei a notar que trazia um resultado financeiro bom”, disse.

Quatro anos depois, o jovem de Itu (SP) tem mais de mil clientes, cerca de 600 deles fixos mensalmente. 

Alencar é um dos cases usado como exemplo pela Tupperware para atrair jovens que procuram por uma oportunidade. Como estratégia de venda, ele produz vídeos de demonstração e apresentação dos produtos em seu canal no YouTube. Bem-sucedido, o paulista conta que paga as contas, tem uma vida estável e comprou um carro com a renda vinda do negócio.

Custa 7,5 vezes mais

Parte crucial de sua estratégia de mercado, a Tupperware não vende seus produtos em supermercados ou lojas, só via revenda. São 13 catálogos por ano, oferecidos por seus consultores. Por isso o trabalho com os vendedores é tão importante.

Segundo Angélica, da Tupperware, os vendedores são um dos dois pilares de sustentação da marca hoje. “Por que alguém vai pagar R$ 29,90 em um Tupperware em vez de R$ 3,99 num pote em uma lojinha? Oferecemos um produto de qualidade reconhecida e temos consultores que sabem o que o cliente quer, eles o conhecem.” No exemplo citado por ela, o produto da marca custa 7,5 vezes mais que o outro.

Sem revelar números, a executiva disse que o Brasil se mantém como mercado número 1 da Tupperware no mundo em quantidade de vendas e, mesmo com a crise, tem apresentado um “crescimento consistente” nos últimos anos.

(Reportagem: Lucas Borges Teixeira; edição: Armando Pereira Filho)

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