ipca
-0,21 Nov.2018
selic
6,5 31.Out.2018
Topo

Bancos dizem apoiar aumento da concorrência no setor para baixar juros

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

04/12/2018 13h54Atualizada em 05/12/2018 11h50

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) defendeu o aumento da concorrência no setor bancário como forma de estimular a redução dos juros no Brasil.

Segundo a entidade, com mais competidores e, ao mesmo tempo, medidas para estimular a procura por crédito no país, as taxas poderão cair mais rapidamente. “A Febraban e seus associados são 100% a favor da ampliação da concorrência", declarou Murilo Portugal, presidente da entidade.

A Febraban lançou nesta terça-feira (4), em São Paulo, um livro com propostas para reduzir os juros no Brasil e estimular o crescimento da economia.

Leia também:

“Para o Brasil crescer mais é preciso que os juros caiam mais. A função dos bancos é financiar consumo e o investimento. Quem empresta para um volume maior de pessoas e empresas reduz o risco”, afirmou.

Portugal explicou que são necessárias medidas que reduzam o custo da intermediação financeira e, ao mesmo tempo, estimulam a competição, para que a redução nos custos seja efetivamente repassada aos clientes.

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que a instituição tem adotado um conjunto de medidas para impulsionar a redução dos juros ao consumidor e às empresas no país. Ele citou ações como a regulamentação das contas de pagamentos, das fintechs de crédito e a possibilidade de abertura eletrônica de contas correntes por pessoas físicas e empresas.

“Somos todos a favor da competição, como foi colocado pelo Murilo. Ela gera mais eficiência e melhores produtos”, disse Goldfajn.

Verticalização não prejudica consumidor, diz Febraban

O presidente da Febraban também defendeu nesta terça-feira a verticalização do sistema bancário.

Segundo Portugal, a verticalização é uma característica comum, em todo o mundo, não apenas ao setor financeiro, mas a todos os segmentos que são intensivos em capital, como o de siderurgia, mineração e petróleo. “A verticalização do setor financeiro no mundo gira em torno de 95%. Ela ajuda a reduzir custos em todas as indústrias, além de manter a certeza de fornecimento dos insumos que sejam necessários. Vamos pegar como exemplo a indústria do petróleo. A mesma empresa faz prospecção, o transporte e o refino”, disse Portugal.

Questionado se a verticalização não prejudicaria a competição, especialmente no mercado de cartões de crédito, Portugal argumentou que novos competidores têm surgido no segmento graças aos avanços da tecnologia.

“Tínhamos duas bandeiras [de cartões] que atuavam. E duas credenciadoras. Agora temos um número maior. Tem havido entrada rápida de novos competidores e essas mudanças têm ocorrido com a tecnologia. Há uma revolução digital no mundo, que deve acelerar entrada de novos competidores”, afirmou.

“Portanto, a verticalização não é problema. Competição é problema. Se houver práticas anticompetitivas, órgãos de defesa da concorrência vão fiscalizar e punir."

Proposta no Congresso

As declarações de Portugal vão em sentido contrário ao que pensam os parlamentares sobre o tema. A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira (4) uma série de propostas que visam reduzir o spread bancário (a diferença entre os juros que os bancos pagam para conseguir dinheiro e a taxa cobrada dos clientes).

O relatório, de autoria do senador Armando Monteiro (PTB-PE), traz como uma das recomendações proibir a verticalização do segmento de meios de pagamento. Desta forma, um mesmo grupo financeiro não poderia mais controlar uma bandeira, emitir os cartões e ainda ser responsável pelo credenciamento dos lojistas.

O tema também tem sido monitorado com atenção pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que inclusive já firmou alguns termos de compromisso com instituições financeiras para combater práticas anticompetitivas.

Mais Economia