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Guedes vai à Firjan e defende cortes no Sistema S: "Tem que meter a faca"

Sergio Moraes/Reuters
Paulo Guedes, futuro ministro da Economia, em almoço com empresários e políticos na Firjan, no Rio Imagem: Sergio Moraes/Reuters

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

17/12/2018 16h15Atualizada em 17/12/2018 17h49

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu cortes de gastos no Sistema S e disse que a entidade precisa se adequar à austeridade do próximo governo. A afirmação foi feita em um almoço com empresários e políticos na sede da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (17). A própria Firjan faz parte do Sistema S.

Os cortes, segundo Guedes, podem variar entre 30% e 50% do orçamento atual.

Tem que meter a faca no Sistema S. Vocês acham que a CUT [Central Única dos Trabalhadores] perde sindicatos, e aqui continua tudo igual, com almoço bom?
Paulo Guedes, futuro ministro da Economia

Alguns dos presentes riram da declaração, mas a maioria presente no auditório da Firjan permaneceu séria.

Ao final do pronunciamento de Guedes, o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, pediu a palavra e comentou a fala diante do futuro ministro.

"Já existe um grupo de trabalho nessa casa para submeter ao seu governo, em breve. O senhor disse, por diversas vezes, que não quer destruir o que funciona. Temos 4.000 funcionários na Firjan e precisamos descobrir uma forma de ser contemporâneos e levar o trabalho adiante", afirmou. 

Além da Firjan, formam o Sistema S o Sesi e o Senai (que estão no bojo da Firjan), o Sesc, o Senac, o Sebrae, o Sescoop, o Sest, o Senat e o Senar. O Sistema S foi concebido na década de 1940 para promover capacitação de mão de obra, cultura e lazer para o trabalhador. Custeado pela contribuição das empresas, passou a ser administrado pelas federações patronais, que recebem uma espécie de "taxa de gestão".

Ao final do evento, Eduardo Eugenio voltou a comentar a fala de Paulo Guedes:

Eu acho que todas as organizações e instituições do Brasil, públicas ou privadas, merecem, sim, uma revisita do poder público. Esses 30% são apenas para as indústrias? Ou no total? São perguntas a serem respondidas. É claro que existem verbas a serem reduzidas
Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, presidente da Firjan

Apoio de governadores para mudar Previdência

Durante discurso realizado diante do governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e do prefeito da capital, Marcelo Crivella (PRB), Guedes pediu ajuda para levar à frente a reforma da Previdência. O futuro ministro também defendeu mais investimentos em estados e municípios durante o governo Bolsonaro.

"Vamos descentralizar o orçamento para os municípios. A nossa atual previdência é um avião antigo. Essa previdência já quebrou antes de ver a população envelhecer. Existe uma bomba demográfica a bordo. Esse sistema destrói um emprego para assegurar a velhice de outro trabalhador. Vamos colocar esse avião para decolar e liberar as empresas dos encargos trabalhistas", disse.

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