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Petrobras volta a lucrar e "dar orgulho aos brasileiros", dizem analistas

Vladimir Goitia

Colaboração para o UOL, em São Paulo

2019-02-27T19:52:30

27/02/2019 19h52

Resumo da notícia

  • Quadro de funcionários cai de cerca de 400 mil para perto de 100 mil
  • Especialistas projetam produção de 4 milhões de barris por dia até 2022
  • Gestão mais responsável ajuda a recuperar desempenho

A Petrobras, que enfrentou a maior crise da sua história nos últimos anos, resultado de políticas intervencionistas e de casos de corrupção, anunciou seu primeiro resultado anual positivo depois de quatro anos seguidos de prejuízos.

No ano passado, a estatal conseguiu lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 25,779 bilhões, porém abaixo do patamar de R$ 31 bilhões esperado pelos analistas do mercado financeiro.

Lucro e "orgulho aos brasileiros"

"Depois de um período negro, em que a dívida da empresa chegou a mais de US$ 100 bilhões, a Petrobras volta ser lucrativa e a dar orgulho aos brasileiros", disse Adriano Pires, sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). "Se a empresa fosse privada, com essa dívida teria entrado em recuperação judicial", acrescentou.

Pires, que atua há mais de 30 anos na área de energia, disse que a Petrobras foi praticamente reconstruída com um plano baseado em quatro pilares (nova política de preços, desinvestimentos, redução de custos e investimentos em bens de capital) que começam a dar retorno. A estatal, que chegou a ter cerca de 400 mil funcionários (300 mil deles terceirizados), reduziu para cerca de 100 mil (60 mil deles agora concursados).

Gestão mais responsável na empresa

"Talvez agora a Petrobras fique menos preocupada em resolver seus problemas financeiros e parta em busca de uma alavancagem de apenas 1,5 vez, a exemplo da maioria das multinacionais dessa área", afirmou Pires. A alavancagem é um tipo de estratégia da qual as empresas se valem para aumentar ou multiplicar o potencial de investimentos, porém com dinheiro de terceiros.

No ano passado, a estatal chegou a ter uma alavancagem de 5,1 vezes. Com a reestruturação financeira iniciada no governo Temer e redução de custos de US$ 3,4 bilhões para US$ 1,3 bilhão, a estatal conseguiu no ano passado diminuir essa alavancagem.

Venda de empresas fora do negócio principal

 "Acredito que a Petrobras continuará com seu programa de desinvestimentos em áreas que não têm nada a ver com seu 'core business' [negócio principal], e venderá sua participação em empresas como a Braskem e Liquigás, além de se desfazer da BR Distribuidora, de refinarias e de gasodutos. Temos que colocar na nossa cabeça que a Petrobras não é uma estatal, é uma empresa de capital misto, com investidores aqui e no exterior", disse Pires.

Ele avalia também que a Petrobras deve se concentrar agora em investimentos na produção de óleo e gás em águas profundas (o pré-sal), com o que a sua produção poderia chegar a 4 milhões de barris por dia já em 2022, ante 2,63 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). 

"Acredito, entretanto, ser um erro fazer projeções apenas sobre a produção da Petrobras, quando o importante é mostrar quanto o Brasil produz. Produção brasileira é diferente da produção apenas da estatal", disse o especialista.

Segundo as projeções do CBIE, a produção brasileira de óleo e gás em 2022 (inclui a Petrobras) poderá ser de 4,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed).

Geração de caixa é o importante agora

Gabriel Fonseca, analista da XP Investimentos, disse que o que importa agora é o fato de a Petrobras estar gerando caixa, diante do endividamento que ainda tem. Ele avalia que a situação da estatal hoje é mais sólida do que os últimos anos, embora ainda não esteja tudo pronto e resolvido.

"A empresa tem todavia mais esforços a fazer, principalmente em relação a custos. Além disso, tem ainda a meta de desinvestimentos de US$ 26,9 bilhões até 2023", afirmou o analista da XP.

Esses recursos devem ser usados para reduzir ainda mais a dívida da estatal. Mas, disse Fonseca, "plano de venda de ativos é sempre um risco por causa de uma possível judicialização, principalmente diante das discussões sobre a necessidade ou não de autorização do Legislativo e do Judiciário".

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