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Seguro de carro e casa pode cobrir enchente, mas tem que estar no contrato

11.mar.2019 - Carros encobertos na av. Presidente Wilson, zona leste de São Paulo - Bruno Rocha/Fotoarena/Estadão Conteúdo
11.mar.2019 - Carros encobertos na av. Presidente Wilson, zona leste de São Paulo Imagem: Bruno Rocha/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Juliana Elias

Do UOL, em São Paulo

11/03/2019 12h26Atualizada em 17/03/2019 16h33

Chuvas fortes, como as que atingiram diversas cidades de São Paulo nesta madrugada, podem deixar um rastro grande de destruição e prejuízos, em especial nesta época do ano. Ruas e avenidas bloqueadas, casas e veículos destruídos e estabelecimentos comerciais alagados são alguns dos registros recorrentes.

Para quem tem seguro para o veículo ou a casa, esse tipo de ocorrência tem cobertura garantida?

Tudo depende do contrato de seguro, ou seja, daquilo que a pessoa decidiu incluir ao contratar a apólice para seu carro ou sua casa. Por isso, é preciso prestar atenção aos detalhes das cláusulas e ponderar se vale pagar um valor mais alto para ter mais garantias.

"O seguro pode cobrir todos os tipos de danos, desde que tenha uma cobertura ampla, e não apenas a básica", disse José Varanda, coordenador da Escola Nacional de Seguros. "Também é importante que a pessoa evite atitudes que podem render a perda da cobertura depois, como ligar o motor do carro em um alagamento ou deixar as janelas da casa abertas."

Carros: cobertura básica ou completa

Para os carros, a cobertura mais básica normalmente inclui apenas danos relativos a incêndio e roubo. É possível incluir outros tipos de eventos a serem cobertos pela seguradora, como enchentes e batidas. Em contrapartida, os prêmios (a anuidade paga à seguradora) também sobem de acordo com o risco de esses eventos acontecerem e o valor do veículo.

Como, porém, as vantagens e a procura pela cobertura restrita são pequenas, muitas seguradoras já partem de pacotes que, no plano básico, incluem outros eventos como as colisões e enchentes, geralmente oferecidas juntas.

Danos causados por enchentes, inundações, queda de barreiras, de muros e de árvores são alguns dos acontecimentos que passam a ser obrigatórios nos contratos que contemplam enchentes, independentemente das situações ou locais em que aconteceram.

Em todos os casos, os clientes têm direito tanto ao conserto quanto a receber o valor do veículo em caso de perda total.

Segundo Varanda, é a opção mais comum e também a mais indicada. "A cobertura restrita costuma girar em torno de 65% do valor da compreensiva [completa], mas é muito cara para cobrir apenas incêndio e roubo. Não cobre nem batida", disse ele.

Cuidado ao tentar fugir da enchente

Mesmo tendo direito à cobertura do seguro, o proprietário pode perder o benefício no caso de mau uso, segundo Varanda. Nas situações de enchente, é o que pode acontecer caso o motorista avance sobre a área alagada na tentativa de escapar.

"A indicação é desligar o motor e não forçar o carro", disse o especialista. "Os danos com o motor ligado [em contato com a água] podem ser piores e, se uma perícia da seguradora indicar que isso agravou a condição do veículo, ela pode negar a cobertura."

No caso do seguro residencial, a empresa também pode negar o reparo, mesmo se previsto na cobertura, caso fique provado que os danos de um alagamento ao imóvel, como em pisos, eletrodomésticos e móveis, tenham sido piorados porque o morador deixou janelas ou portas abertas.

Casa: seguros mais baratos

O seguro residencial também parte de uma cobertura mínima e vai sendo ampliado se o cliente quiser incluir outros tipos de imprevistos na apólice. Para condomínios e estabelecimentos comerciais, as regras, em geral, são as mesmas.

"Há a cobertura para alagamentos, mas é um adicional que deve ser contratado pelo segurado. Os contratos básicos cobrem incêndio, raio e explosão", disse a superintendente executiva de Seguros Gerais da Mapfre, Patricia Siequeroli. Danos elétricos e roubos são outros exemplos que podem ser incluídos à parte, com aumento proporcional na cobrança.

A boa notícia é que eles são bem mais baratos, já que os incidentes em casa são menos frequentes do que nos veículos. Segundo Patricia, enquanto o prêmio dos seguros de automóveis gira em torno de 4% do valor do bem, nos residenciais fica próximo de 0,1%, algo como R$ 300 ao ano para um patrimônio total segurado de R$ 300 mil.

"Uma pessoa que pague R$ 250 [por ano] pelo seguro básico pode ter acrescido cerca de R$ 100 para adicionar a cobertura de enchente ou outras", disse ela.

O preço final depende, principalmente, do valor que o cliente opte por segurar --se ele escolhe acrescentar uma cobertura para enchentes no valor de R$ 30 mil à sua apólice, é esse o valor máximo que terá direito a receber caso uma enchente venha, de fato, a acontecer. O valor é recebido em dinheiro e pode ser usado para reparar o imóvel ou repor móveis perdidos, por exemplo.

"Inundação", "alagamento" e "vendaval"

José Varanda, da Escola Nacional de Seguros, menciona que, nos seguros residenciais, é importante o cliente prestar atenção ao contrato, já que há nomes parecidos para eventos que, na hora da indenização, são diferentes.

Cobertura de "inundação", diz ele, repara danos relativos apenas a transbordamento de rios, enquanto a cobertura de "alagamentos" garante também a indenização por outros tipos de enchentes, como as causadas por tempestades.

Outra variação possível, os "vendavais", indeniza apenas eventos como descolamento de telhas e queda de árvores. "É importante tirar todas essas dúvidas com o corretor na hora da contratação", disse.

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