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Joaquim Levy pede demissão do BNDES em carta a Paulo Guedes

Levy em cerimônia de transmissão de cargo de presidente do BNDES - Jorge Hely/Estadão Conteúdo
Levy em cerimônia de transmissão de cargo de presidente do BNDES Imagem: Jorge Hely/Estadão Conteúdo

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo

16/06/2019 08h06Atualizada em 17/06/2019 08h09

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Joaquim Levy, enviou hoje uma carta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, pedindo demissão do cargo. "Solicitei ao ministro da Economia, Paulo Guedes, meu desligamento do BNDES. Minha expectativa é que ele aceda. Agradeço ao ministro o convite para servir ao país e desejo sucesso nas reformas", disse Levy.

Levy foi alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ontem, por causa da nomeação do advogado Marcos Barbosa Pinto, que trabalhou em governos do PT, para o cargo de diretor de Mercado de Capitais do banco de fomento.

"Levy nomeou Marcos Pinto para função no BNDES. Já estou por aqui com o Levy", disse Bolsonaro ontem. "Falei para ele: Levy, demite esse cara na segunda [17] ou eu demito você sem passar pelo Guedes [ministro da Economia]. Levy está com a cabeça a prêmio há algum tempo", afirmou o presidente.

Pinto é considerado homem de confiança de Guido Mantega, ministro da Fazenda nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Após a declaração de Bolsonaro, o advogado apresentou uma carta de renúncia antes mesmo de assumir o cargo oficialmente --ele tomou posse na quarta-feira (12) e começaria a trabalhar no BNDES amanhã.

O próprio Levy também trabalhou em governos petistas: foi ministro da Fazenda durante o primeiro ano do segundo mandato da ex-presidente Dilma e secretário do Tesouro de Lula.

Levy foi levado à chefia do BNDES no início deste ano por indicação de Paulo Guedes. Os dois têm passagem pela Universidade de Chicago, considerada a principal instituição do pensamento liberal.

Quem são os cotados para substituir Levy

Ainda ontem, quando a possibilidade de demissão de Levy começou a ser ventilada, integrantes da área econômica já falavam reservadamente sobre quem poderia substituí-lo.

Os nomes mais cotados são Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central que assumiu a presidência do conselho do BNDES neste ano, e Salim Mattar, secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia.

Também estão no páreo Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do banco, e Solange Vieira, funcionária de carreira do BNDES e atual presidente da Susep (Superintendência de Seguros Privados).

Haddad defende pivô de demissão de Levy

Em sua conta no Twitter, o petista Fernando Haddad, adversário de Bolsonaro na disputa presidencial em 2018, defendeu a capacidade técnica do advogado pivô da demissão de Levy.

"Marcos Barbosa Pinto, pivô da demissão de Levy do BNDES, me assessorou na formatação de 2 projetos de lei: Prouni e PPP. Sua contribuição técnica foi inestimável para o sucesso destas iniciativas", escreveu Haddad.

Bolsonaro demite 3 militares em 3 dias

Entre a quarta-feira (12) e sexta-feira (14), Bolsonaro demitiu três militares de cargos importantes em seu governo: Carlos Alberto dos Santos Cruz (ministro da Secretaria de Governo), Franklimberg Freitas (presidente da Funai) e o general Juarez de Paula Cunha (presidente dos Correios).

No caso de Cunha, a demissão veio após o general ir ao Congresso, tirar fotos com parlamentares de esquerda e ter dito que não haveria privatização dos Correios, uma das principais bandeiras da equipe econômica comandada por Guedes. Para Bolsonaro, essas atitudes configuraram "comportamento de sindicalista".

Veja a íntegra da mensagem de Joaquim Levy:

"Solicitei ao ministro da Economia, Paulo Guedes, meu desligamento do BNDES. Minha expectativa é que ele aceda.

Agradeço ao ministro o convite para servir ao país e desejo sucesso nas reformas.

Agradeço também, por oportuno, a lealdade, dedicação e determinação da minha diretoria. E, especialmente, agradeço aos inúmeros funcionários do BNDES, que têm colaborado com energia e seriedade para transformar o banco, possibilitando que ele responda plenamente aos novos desafios do financiamento do desenvolvimento, atendendo às muitas necessidades da nossa população e confirmando sua vocação e longa tradição de excelência e responsabilidade.

Joaquim Levy"

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