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Com crise do Boeing 737 Max, Airbus A320neo avança no mercado; compare os 2

Boeing 737 Max está impedido de voar desde março por conta de dois acidentes fatais - Divulgação
Boeing 737 Max está impedido de voar desde março por conta de dois acidentes fatais Imagem: Divulgação

Vinícius Casagrande

Colaboração para o UOL, em São Paulo

02/08/2019 04h00

A crise do modelo 737 Max pode fazer com que a Boeing perca o título de maior fabricante de aviões do mundo neste ano. Impedido de voar desde março deste ano após o segundo acidente do modelo em cinco meses, o 737 Max vem perdendo espaço para o seu principal concorrente, o Airbus A320neo. Os dois modelos são atualmente os principais produtos das duas maiores fabricantes de aviões do mundo.

Enquanto o 737 Max lota os pátios da Boeing à espera de uma solução para os problemas que causaram a queda dos dois aviões do modelo, a Airbus segue em ritmo acelerado na produção do A320neo.

Por conta dos problemas do 737 Max, a Boeing já viu alguns cancelamentos de pedidos, que migraram para a concorrente Airbus. No início do mês, a companhia aérea da Arábia Saudita Flyadeal cancelou seu pedido de 50 Boeing 737 Max e assinou um contrato para adquirir 50 Airbus A320neo.

A Flyadeal foi a primeira a tomar uma atitude concreta nesse sentido, mas outras companhias já ameaçaram fazer o mesmo. Uma delas é a Lion Air, que ameaçou cancelar um contrato de US$ 22 bilhões após um avião da empresa ter sido o primeiro 737 Max a cair, em outubro do ano passado.

Novas versões de modelos antigos

Os dois modelos são versões renovadas de modelo antigos. O primeiro 737 fez seu voo inaugural no dia 9 de abril de 1967. O concorrente da Airbus surgiu 20 anos depois. O A320 fez seu primeiro voo de testes em 22 de fevereiro de 1987.

Depois de passar por uma renovação, que incluiu mudanças aerodinâmicas e novos motores mais eficientes, as novas versões começaram a ser entregues recentemente. O primeiro A320neo foi recebido pela alemã Lufthansa em fevereiro de 2016, enquanto o primeiro 737 Max foi entregue à Malindo Air, da Malásia, em maio de 2017.

Apesar de uma história recente, as novas versões já são sucesso total de venda. A nova linha 737 Max, que inclui cinco versões diferentes, já recebeu 4.934 pedidos, sendo que 387 aviões já foram entregues. Enquanto isso, a família A320neo, que conta com três versões, já registrou 6.635 pedidos e 869 deles já foram entregues.

Apesar da intensa briga entre as fabricantes, muitos passageiros não conseguem diferenciar um Boeing 737 de um Airbus 320. É que ambos são de corredor único, contam com seis assentos por fileira na configuração 3-3 e são usados para rotas de curta e média distância. Mas há diferenças importantes entre eles.

Airbus A320neo tem ganho mercado com a paralisação dos voos do Boeing 737 Max - Divulgação
Airbus A320neo tem ganho mercado com a paralisação dos voos do Boeing 737 Max
Imagem: Divulgação

Para essa comparação, serão usadas as versões 737 Max8 e A320neo. São as duas que mais se aproximam em termos de tamanho, capacidade de passageiros e autonomia de voo.

Tamanho e capacidade de passageiros

O avião da Boeing tem capacidade entre 162 e 178 assentos quando configurado com duas classes de cabine. Caso haja apenas classe econômica, leva 186 passageiros, como é o caso da brasileira Gol. Já o Airbus A320neo tem capacidade que vai entre 150 e 180 passageiros. Nos aviões da Azul, são 174 assentos.

O modelo da Boeing tem maior capacidade de passageiros por conta de seus dois metros a mais de comprimento. O 737 Max8 tem 39,52 metros contra 37,57 metros do A320neo. Considerando as configurações usadas pela Gol e pela Azul, esses dois metros representam duas fileiras de assentos a mais nos aviões da Boeing.

Outra vantagem do avião da Boeing é que ele pode levar mais carga em relação ao concorrente da Airbus. Vazio, o 737 Max8 pesa 1,6 tonelada a mais que o A320neo. São 65,9 toneladas contra 64,3 toneladas. No entanto, o Boeing tem um peso máximo de decolagem de 3,1 toneladas a mais que o Airbus (82,1 toneladas contra 79 toneladas).

Considerando combustível, passageiros e cargas, o 737 Max8 leva 1,5 tonelada mais. O Boeing pode levar uma carga total de 16,2 toneladas contra 14,7 toneladas do Airbus.

Performance

Segundo os dados divulgados pelas duas fabricantes, o A320neo ganha na velocidade, mas perde na distância que pode percorrer.
O modelo da Airbus tem a velocidade padrão em voo de cruzeiro de Mach 0.82. É o equivalente a 82% da velocidade do som, ou cerca de 890 km/h quando o avião está a 10 mil metros de altitude. A velocidade do 737 Max8 é Mach 0.79 (857 km/h).

A velocidade em quilômetros por hora pode variar de acordo com as condições meteorológicas da rota. Com ventos de cauda (no mesmo sentido do voo), o avião é "empurrado" e ganha velocidade, por exemplo.

Para voos mais longos, o 737 Max8 leva vantagem. O avião da Boeing tem maior autonomia, podendo percorrer até 6.570 quilômetros, contra 6,3 mil quilômetros do A320neo.

Custos

Em termos econômicos, o avião da Airbus leva vantagem em relação ao jato da Boeing. O modelo A320neo é 9% mais barato que o 737 Max8.

O Airbus tem preço-base de US$ 110,6 milhões (R$ 414,23 milhões), enquanto o Boeing custa US$ 121,6 milhões (R$ 455,43 milhões). Esses valores, no entanto, podem mudar de acordo com as negociações entre as fabricantes e seus clientes.

Veja as fichas técnicas dos dois aviões

Boeing 737 Max8

  • Passageiros: 162 a 172 passageiros em duas classes ou 186 em classe única
  • Comprimento: 39,52 metros
  • Altura: 12,3 metros
  • Envergadura: 35,9 metros
  • Alcance: 6.570 km
  • Peso máximo de decolagem: 82,1 toneladas
  • Peso zero combustível (vazio): 65,9 toneladas
  • Velocidade: Mach 0.79 (857 km/h)
  • Preço: US$ 121,6 milhões (R$ 455,43 milhões)

Airbus A320neo

  • Passageiros: 150 a 180 passageiros, dependendo da configuração interna
  • Comprimento: 37,57 metros
  • Altura: 11,76 metros
  • Envergadura: 35,8 metros
  • Alcance: 6.300 km
  • Peso máximo de decolagem: 79 toneladas
  • Peso zero combustível (vazio): 64,3 toneladas
  • Velocidade: Mach 0.82 (890 km/h)
  • Preço: US$ 110,6 milhões (R$ 414,23 milhões)

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