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80% dos pequenos lojistas vão quebrar se shoppings fecharem, diz entidade

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

18/03/2020 15h18Atualizada em 18/03/2020 16h30

Mais de 80% dos pequenos e médios lojistas de shoppings que atuam na região metropolitana de São Paulo podem quebrar se forem obrigados a fechar as portas e não forem adotadas medidas que compensem as perdas nas vendas, disse o presidente da Ablos (Associação Brasileira dos Lojistas Satélites), Tito Bessa.

Nesta quarta-feira, o governador de São Paulo, João Doria, determinou em entrevista a jornalistas o fechamento dos shoppings até 30 de abril como medida para conter o avanço do novo coronavírus. Mas após a conversa com os jornalistas, a secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Patrícia Ellen, enviou nota à imprensa para esclarecer que o governo de São Paulo apenas recomendou o fechamento dos shopping da capital e da Grande São Paulo, a partir da próxima segunda-feira (23). "Não é uma determinação", disse o governo em nota.

"Se os shoppings fecharem, então fechou o 'registro da água'. Não tem mais nada entrando. O pouco dinheiro que o lojista tem em caixa vai servir para pagar funcionário. Não tem como pagar aluguel, nem dívida, nem imposto", disse Bessa, que representa 95 marcas associadas. Juntas, elas têm 5.000 pontos de vendas no país.

O presidente da Ablos afirmou que o comércio eletrônico não é capaz de compensar as perdas de vendas com o fechamento dos shoppings porque grande fatia da receita das empresas depende das lojas físicas.

Negociação com donos dos shoppings

Segundo o empresário, fundador da rede de lojas TNG, a entidade já vem tentando negociar com a Abrasce (associação que representa as empresas donas e administradoras dos shoppings) um congelamento do pagamento de aluguéis e de taxas por causa da queda de vendas, que já está ocorrendo por causa da menor circulação de consumidores. "Mas eles não querem nem conversar. Estão preocupados em pagar os empreendimentos", disse Bessa.

Procurada pelo UOL, a Abrasce não respondeu até a publicação desta reportagem.

O UOL apurou que, em caso de fechamento total, os shoppings terão problemas para receber o aluguel mesmo de grandes varejistas. Isso porque uma parte do aluguel pago pelas lojas chamadas de âncoras, como as lojas de departamento ou cadeias de fast food, costuma ser calculado a partir de um percentual das vendas. Se não há vendas, não há o pagamento dessa parte do aluguel.

Segundo a Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), entidade que representa grandes redes de varejo, a abertura ou não das lojas vai depender da opção do empreendedor, que poderá decidir livremente pelo funcionamento do ponto, dentro do horário de funcionamento do empreendimento.

"Junto com a Abrasce somos interlocutores junto ao governo federal e estadual para buscar redução e isenção de impostos, e ajuda financeira para que os empresários possam manter a empregabilidade dos seus colaboradores", afirmou a Alshop em nota.

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