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Para empresários, Ministério da Saúde tem liderança melhor que Economia

João José Oliveira

do UOL, em São Paulo

24/03/2020 21h02

Resumo da notícia

  • Falta liderança do governo na área da economia, afirmam empresários gigantes, como dono do Shopping Iguatemi
  • Donos de comércio dizem que governo precisa criar solução para pagamento de salários
  • Empresários defendem liberação de recursos que permitam pagamento de salários em empresas que estão sem caixa

Empresários de grandes shoppings e marcas famosas do comércio afirmaram que o governo federal não tem uma liderança na área de economia com a mesma qualidade técnica e de comunicação como a que existe na área da saúde para enfrentar a crise do coronavírus. Eles citaram a confusão do decreto que permitia suspensão dos salários por quatro meses e que foi cancelado em menos de 24h.

A avaliação foi feita em um debate online promovido pela XP Investimentos na noite desta terça-feira (24), com participação de executivos dos grupos Iguatemi Empresa de Shopping Centers, Aliansce Sonae, Arezzo&Co e Centauro.

Falta liderança na área da economia

Para os empresários do varejo no país, a situação é inédita e exige uma postura mais ágil do governo na área da economia. "A gente está navegando águas nunca antes navegadas. Por isso, a gente precisa de uma liderança no governo do ponto de vista econômico, de quem pode tomar essas decisões. Porque senão o drama do desemprego vai ser tão grave quanto o da saúde", afirmou o diretor-presidente da controladora de shoppings Aliansce Sonae, Rafael Sales.

O problema, apontam os empresários, é que não parece haver uma liderança no governo federal. "Não estou vendo do lado da economia a mesma força para dar a resposta que existe na área da saúde", disse o diretor-presidente do Iguatemi Empresa de Shopping Centers, Carlos Jereissati.

Os empresários citaram como um exemplo da falta de coordenação do governo federal na área da economia a medida provisória apresentada esta semana que em uma primeira versão abria a possibilidade de afastar os empregados com suspensão dos salários. "Se houver demissões em massa agora não teremos condições de passar essa crise", disse o diretor-presidente da Arezzo&Co, Alexandre Birman.

Linha para pagar salários é urgente

O pagamento de salários dos trabalhadores é o problema mais urgente da economia neste momento, afirmaram os empresários. Segundo os executivos, se o governo não criar uma solução imediata para atender pequenos e médios empreendedores, será mais difícil manter as medidas de restrição porque as pessoas sem renda não vão conseguir ficar em casa.

"Ter uma solução para a folha de pagamento é neste momento a maior aflição de todos os empresários", disse o presidente do conselho da Centauro (Grupo SBF): Sebastião Bomfim. "Precisamos de medidas urgentes para que se resolva a folha de pagamento agora dia 5. É crucial. Não tem como manter as pessoas em casa se não tiver renda. É o mínimo. Daqui a 60 dias não vai adiantar mais", disse o empresário

Entre as medidas, os empresários defenderam linhas de recursos para pagamento de folha de emprego no curto prazo. "Precisamos de linha de recursos para pagar a folha de salários", afirmou Birman.

Segundo os empresários, o setor privado tem feito o que pode para aliviar a crise. Os shoppings suspenderam a cobrança de aluguéis e reduziram as taxas de condomínio.

"Se estou suspendendo meu aluguel agora, o governo tem que suspender impostos. O governo tem que garantir que o baleiro que vende na rua tenha dinheiro. Precisamos de senso de urgência", disse Carlos Jereissati, do Iguatemi.

As fabricantes de roupas e calçados estão compartilhando ativos, como áreas de fábricas, para produção de máscaras, e plataformas de Internet para pequenos varejistas e fornecedores poderem atuar no comércio eletrônico.

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