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Governo injetará R$ 600 bi na economia, diz Abílio Diniz em debate online

Ricardo Marchesan

Do UOL, em São Paulo

25/03/2020 21h34Atualizada em 26/03/2020 10h15

O empresário Abílio Diniz afirmou que o governo vai colocar R$ 600 bilhões em circulação na economia por meio de medidas para enfrentar a crise provocada pela pandemia de coronavírus. Segundo Diniz, a informação foi passada pelo ministro Paulo Guedes nesta quarta-feira (25).

"Conversei hoje com o ministro Paulo Guedes (...) ele está organizando as coisas. Ele vai colocar mais de R$ 600 bilhões em circulação. Vai botar dinheiro e dinheiro grosso porque sabe que é necessário", afirmou. "Parece astronômico mas é evidente que é um conjunto de medidas."

Ele fez a declaração durante um debate online promovido pela XP Investimentos na noite desta quarta-feira (25), com participação de executivos da Profarma e da Vulcabrás Azaleia, além de Diniz, atualmente da Península Participações.

"Crise mais assustadora", afirma empresário

Diniz disse também que o momento atual é a crise global "mais assustadora" que já viveu.

Relembrando momentos econômicos difíceis, Diniz citou as crise do petróleo, no começo dos anos 1980, da hiperinflação, e o Plano Collor, nos anos 1990, quando houve o confisco da poupança dos brasileiros.

"Essa (crise atual), em termos de saúde, você está preocupado com a vida das pessoas. Você está preocupado que as pessoas não morram. Não lembro de um outro momento igual a esse. Estava preocupado com que as empresas não morressem, que as empresas não quebrassem. Mas não que as pessoas próximas de você morram."

Ainda assim, ele disse ser um otimista e que é necessário calma e serenidade para enfrentar o momento, e que acredita que o país sairá melhor do que entrou.

Preocupação com desemprego

Os executivos que participaram do debate disseram que a preocupação maior no momento é com o desemprego no país, que deve aumentar com a estagnação econômica.

Pedro Bartelle, da Vulcabrás Azaleia, afirmou que essa deve ser a maior preocupação de empresários e governo.

"O mais importante neste momento, seja através dos empresários, das entidades, do governo, é que a gente se preocupe muito com os empregos. Porque essa crise vai trazer problemas, e o desemprego será o maior problema", disse.

Sammy Birmacker, da Profarma, indústria farmacêutica, afirma que o setor vive uma "ilha de tranquilidade" em meio ao impacto na economia como um todo, e que estão vendo em março um boom de vendas.

Mesmo assim, ele afirma se preocupar com demissões em outros setores da economia.

"A grande preocupação de fato é com essa onda de demissões dos outros setores, de que maneira isso vai afetar o brasileiro como um todo", disse.

Não há separação entre economia e saúde

Abílio Diniz rejeitou o debate levantado por setores econômicos nos últimos dias de que a parada total da economia pode ser pior do que o efeito da epidemia na sociedade. "Não tem saúde e economia, está tudo junto", disse.

"Acho que não é mais o momento no Brasil de discutirmos se o lock down deve ser horizontal ou vertical. O Brasil já está parado ou parcialmente parado", afirmou. "O que é importante é ter uma agenda do que deve ser feito nesse período parado".

Citou entre as medidas o foco na saúde, com construção de hospitais de campanha e produção de equipamentos para tratar os doentes, para que as pessoas tenham um mínimo de possibilidade de sobreviverem. "Principalmente as pessoas mais carentes, nas favelas."

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