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Medidas do governo são boas, mas têm de chegar na ponta, diz Luiza Trajano

Do UOL, em São Paulo

07/04/2020 16h08

As medidas adotadas pelo governo para combater a crise econômica estão no caminho certo, mas o desafio é fazer com que elas cheguem na ponta, a quem precisa, afirmou Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza.

Ela esteve no debate por videoconferência, organizado pelo UOL, com executivos que comandam líderes dos setores de varejo, logística e alimentos. O programa foi transmitido ao vivo pela home do UOL e pelos canais do UOL no YouTube, Facebook e Twitter.

Participaram do evento:

  • Luiza Helena Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza, uma das líderes e mais inovadoras empresas do varejo brasileiro;
  • Marcelo Melchior, presidente da Nestlé Brasil, a maior empresa de alimentos do mundo, presente no país há quase 100 anos;
  • Andries Oudshoorn, presidente da OLX Brasil, empresa global de comércio eletrônico, uma das maiores e mais bem-sucedidas plataformas de negócios online;
  • Diego Barreto, vice-presidente Financeiro e de Estratégia do iFood, pioneira e líder na América Latina na logística de entrega de refeições e alimentos.

Os empresários afirmaram que as grandes empresas têm a responsabilidade de manter empregos e garantir produtos e serviços essenciais nesse primeiro momento da crise —e que isso vem sendo feito.

Segundo eles, só o tempo dirá se as medidas adotadas pelo governo são suficientes para minimizar os impactos econômicos do coronavírus.

Luiza Trajano afirmou que nenhum país sai dessa crise sem a ajuda do governo. Ela elogiou a medida que permite reduzir salários e suspender empregos, mas criticou a decisão do STF que submeteu essa decisão ao aval de sindicatos.

Para os executivos, o distanciamento social é necessário para reduzir a velocidade de contágio da doença. Esse isolamento trouxe mudanças no dia-a-dia das empresas, como diminuição de força de trabalho, equipes em home office e fortalecimento do delivery.

Além disso, a forma de convívio nas famílias também foi alterada. Empresas já observam as tendências e veem a necessidade de se adaptar a elas.

Medidas do governo

Marcelo Melchior, CEO da Nestlé na América Latina, elogiou a celeridade do governo em anunciar medidas contra a crise, mas disse que não sabe quais ações vão funcionar na prática. Segundo ele, todos estão fazendo o melhor possível e muitas das providências tomadas até agora são espelho do que se fez em outros países.

Para Diego Barreto, do iFood, as medidas do governo e das empresas são complementares no combate à crise. O foco tem sido a redução de custos e o aumento de liquidez no mercado. Barreto também disse que a manutenção da livre iniciativa privada é muito importante.

Andries Oudshoorn, da OLX, afirmou que Brasil tem a vantagem de ver erros da Europa e aprender com eles. Na opinião do executivo, as medidas de distanciamento social foram adotadas a tempo e estão dando resultado. Agora, "o governo vai ter que ajudar a economia para não quebrar a cadeia de produção, para que as pessoas possam retomar depois da crise" disse.

Luiza Trajano, do Magazine Luíza, afirmou que nenhum país sai dessa crise sem ajuda do governo. Segundo a empresária, o setor do varejo se juntou à área econômica por meio do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) com o objetivo de sair do papel de espectador e virar protagonista.

"O problema agora é as medidas chegarem na ponta. Elas foram rápidas, pegaram FGTS, impostos. Agora quero pedir a todo mundo para a gente ajudar a chegar na ponta", declarou Trajano.

Demissões

Os quatro executivos reafirmaram compromissos de não demitir. Para eles, as grandes empresas têm um papel importante nesse primeiro momento da crise, pois as medidas do governo demoram algum tempo até surtirem os efeitos desejados.

Para Luiza Trajano, o governo desenvolveu boa inciativas em parceria com o setor privado para evitar demissões. Ela disse que os empresários precisam de calma para entender as novas regras, e as grandes empresas têm o dever de ajudar nesse processo. "O pequeno, o médio e o grande [empresário] que está descapitalizado, ele vai ter dificuldade."

Porém, a empresária criticou decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de submeter acordos individuais de redução de jornada ou salário aos sindicatos. A determinação restringe a liberdade do patrão firmar acordo diretamente com o empregado, conforme previsto na MP 936.

Para a executiva do Magazine Luiza, a decisão é um retrocesso. "Acho que nem o sindicato deveria aceitar isso. Num momento em que todo mundo está fazendo as coisas rápido, nós termos que voltar [da forma como era antes da MP 936]. Vai atrapalhar profundamente."

Manter benefícios das empresas após a crise?

"As medidas estão sendo tomadas por dois ou três meses. Se elas vão melhorar a produtividade, a arrecadação, é outra história", declarou Luiza Trajano.

Ela criticou o peso dos impostos na folha de pagamento e disse que espera um amadurecimento a partir das experiências feitas para conter a crise.

Briga entre Bolsonaro e governadores

Para Luiza Trajano, as discussões políticas sobre qual tipo de isolamento o Brasil deve adotar perderam sentido. "Já foi. Se abrir as lojas agora não vai ter cliente comprando, porque eles estão com medo. Temos que entrar no essencial. o Brasil precisa ir bem, o mundo precisa ir bem".

Todos os empresários que participaram do debate concordaram que as medidas de isolamento social foram importantes para conter o avanço da covid-19 no Brasil. Para eles, a prioridade deve ser a proteção da vida das pessoas.

Mudanças na vida

Andries Oudshoorn, presidente da OLX, afirmou hoje que as empresas terão de se adaptar ao que chamou de "novo modelo de consumo" após a pandemia de covid-19. "A gente está fazendo essa transformação no modelo de consumo... isso não tem volta".

A mudança, segundo ele, tem a ver, por exemplo, com a maior adoção do home office no mercado de trabalho brasileiro durante o isolamento preventivo contra o coronavírus.

Oudshoorn explicou que essa medida já era comum no grupo e que os funcionários praticavam o trabalho remoto de "duas a três vezes" na semana. De acordo com ele, se o modelo funcionar bem, então, a empresa poderia contratar funcionários em todo o Brasil, para suprir a falta de mão-de-obra especializada em determinadas regiões.

"A tecnologia que ia levar 50 anos, estamos fazendo em cinco", afirmou Luiza Trajano.

Para Marcelo Melchior, presidente da Nestlé Brasil, as medidas de isolamento vão criar tendências de consumo por causa de mudanças na percepção do dia-a-dia. "Estamos tomando café, almoçando, jantando juntos. Isso vai mudar a forma de ver e as coisas que valorizamos".

Melchior disse que deve haver busca por produtos com maior qualidade nutricional, e que o setor de alimentos está atento a isso.

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